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quinta-feira, agosto 31, 2017

Convite

Perguntou o homem a si mesmo: Quem eu sou e de onde vim? A Antropologia procura responde-lhe essa pergunta. E a Cosmologia que estuda a ordem do cosmos, procura responder-lhes sobre a origem deste, de onde veio, qual o primeiro princípio. E vem a Teologia ciência das coisas divinas, para discutir as razões e motivos a favor ou contra a crença de D'us, o ser criador.

E se D'us existe, por que o Bem e o Mal? Por que não é diferente o mundo? E dessas perguntas, outra disciplina, a Teodiceia (Theos-D'us e dikê- justiça) é quem cabe responder se há ou não justiça no mundo. E como sabemos? E vem a Gnosiologia para explicar o conhecimento.

Mas como se dá o saber? Para responder tal mecanismo eis a Epistemologia que estuda o saber das diversas ciências. E como se formou no Homem a sua inteligência? E eis a Psicogênese que lhe ensinará e discutirá os problemas referentes à formação do psiquismo humano. E o espírito humano, que é criador, como surgiu? Sobre esse espírito criador surge outra disciplina a Noogênese que estuda a gênese do nous, o espirito, e a Noologia, a ciência do espírito. Mas como funciona esse psiquismo? E eis a Psicologia que se encarrega de propor resposta à pergunta formulada aqui.

Mas, significam as coisas algo, dizem mais que o fenomênico? E eis a Semiótica que examina as significações das coisas. E há algo mais oculto, que possamos penetrar mais profundamente? e eis a Mística, que quer responder a pergunta. E as coisas são belas, apresentam em si mesmas algo que lhe deem outro valor. E então é a Estética que estudará esse ponto.

E o transcendente? Podemos alcançar o que está além de nós, além de nossa experiência? E eis a Metafísica Geral, a Ontologia, para responder a tais perguntas,. E como se dão os fatos no universo? Temos a Ciência que procura explicar o nexo do acontecer dentro de si mesmo, e de sua imanência, no que mana em (dentro de si), suas coisas experimentais. E como medir e contar os fatos? Temos para isso a Matemática.

E como compreender o Homem em suas relações com os outros? São a Ética, a Moral, o Direito, a História e a Sociologia que propõem-lhes respostas.
Como compreender o nexo dos pensamentos e usa-los da melhor maneira para atingir uma iluminação, que nos mostre mais nitidamente os fatos? E eis a Lógica e a Dialética.

Como explicar tudo isso, dar o nexo a tudo, juntar todo o conhecimento humano e analisa-lo em um grande corpo, num grande saber, que seja o saber de tudo, que seja o saber dos saberes, e eis a Filosofia.

(Convite à Filosofia - Mário Ferreira dos Santos)

segunda-feira, novembro 23, 2015

Relançamento do livro de vovó Amélia

Estamos programando o relançamento do livro de vovó Amélia, mainha já reuniu com Elzir (amiga de vovó Amélia que está organizando)  com algum material enviado pela família -  cartas e declarações.
Colocamos no whatsapp, solicitando aos filhos, netos, bisnetos, irmãos, sobrinhos, amigos, etc, para escrever algumas palavras, ontem conversando com André que não tem zap, vi que tinha que colocar aqui no CA. Peço desculpas e seria bom avisar as pessoas que não tem zap, nem face e nem está aqui no Caravana.
Como sempre o prazo é curto e como diz dona Norma, estamos a um ano programando, e se não estabelecer prazo nada sai. Mandem antes de janeiro pois a programação do relançamento é para março/2016 e ainda tem que selecionar e revisar os textos.

segunda-feira, outubro 26, 2015

O estranho

Ia sempre ao mesmo estabelecimento mas não, não queria ser reconhecido. "Lá está ele" - "esteve aqui ontem"- imaginava todos pensando isso quando o viam, ser apontado pelo costume de frequentar o lugar era- lhe insuportável. Hoje, foi ao supermercado com um bigode falso, um sorriso emprestado e um olhar alheio. As vezes ia vestido de  centurião romano, apesar de achar que essa roupa chamava muito a atenção no século XXI.

Agora sim, um espião da guerra fria, gravata estreita, e ar de poucos amigos. Traje bom para comprar manteiga e brocolis.

Para carnes, usava o traje de Neanderthal que lhe caia bem, apesar dos problemas que teve com a policia ao fazer o fogo no chão do supermercado. Largou a prática, mas manteve o traje. O açougueiro o olhava desconfiado, mas não roubava no peso.

Nas frutas, imaginou usar algo militar, turco, quem sabe. Não deu certo, a polícia o deteve com meio kilo de manga, uma espada e uma lança tentando pegar o metrô de Londres.

Só tinha um amigo. Em vez de cabeça, seu amigo tinha em seu lugar uma abóbora, em lugar da língua, uma folha de carvalho pendia-lhe da boca, em vez de olhos, tinha apenas dois buracos redondos, e através dos buracos chamejavam dois tocos de velas.

No dia que ventou muito, as velas se apagaram. Agora jaz aqui, a dormir sob o viaduto da própia imaginação. Escuta músicas nunca feitas, conversa com gente inexistente e faz arte.

Enfim, o amor é o ar do espírito.

In memoria Robert Walser

sexta-feira, outubro 23, 2015

Um ensaio para a morte

Transformação física. Me torno um monstro? Mudo de aparência? Não, apenas estou morrendo, a cada dia, a cada segundo sigo me transformando em um cadaver.
A transformação se deu durante esses 70 anos, lapso de tempo para o silício, eternidade para a borboleta.

Transformação teratológica. Começou por me doer algo, a urina se tornou verde, meu apetite se alterou. Minha imagem no espelho desaparece. Meu duplo que não está no espelho, me toca a mão. Quem morre? Eu ou ele?

Quem está vivo possui suas possibilidades, não as possuo mais. Não possuo mais possibilidades, possuo apenas uma. E uma possibilidade, deixa de ser possibilidade, passa a ser certeza, e daí passa a ser realidade. A realidade é uma única certeza, pensada ou vivida.

A morte é transformação que não conhecemos o resultado. Equação sem um dos lados. A equação da continuidade sem o zero.

A morte poliglota se aproxima [ poliglota também é o nascimento]. Escutem, me enterrem sem caixão, assim as árvores me levarão para as suas copas e vou tomar sol novamente, lá do alto.

A vida me matou.

segunda-feira, outubro 12, 2015

Em busca de um grande talvez.


Um jovem decidido, robusto, com porte militar, caminha durante o início de uma manhã escura de sábado em Paris. Faz calor naquele final de verão de 1530. Seus olhos demonstram a expectativa, todas as possilidades, sentimento  comum a todos os jovens de vinte anos. Traja uma capa longa que o proteje mais dos olhares curiosos do que de uma fraca chuva teimosa que o molha enquanto trás consigo uma pequena espada e uma cultura humanista em progressão. Carrega um livro que mantem contra o corpo. Dois corvos se irritam quando ele passa e saem voando reclamando na língua dos corvos, enquanto pardais ocupados o ignoram. Desvia-se de uma poça aqui, da bosta dos cavalos acolá, caminho esse que o leva a traçar uma navegação própria, como se fosse um barco a navegar em um rio com bancos de areia. Em meio ao vai e vem dos desvios, entra em um beco anônimo, como todo beco deve ser.

Quase ao fim do beco encontra uma porta à sua esquerda que aberta, se torna a moldura de uma escada de madeira escura e estreita. Ao subir toma cuidado redobrado em carregar o livro (que fala em latim), com a ponta da capa, com o ranger da madeira, com o cansaço e com a ansiedade que persegue seus passos. Outra porta surge ao final da escada. Ao abri-la encontra um par de olhos ansiosos e interrogativos sob um chapéu no meio de uma cabeça regular, um par de lábios bem feitos e por um bigode em forma de arco que compõe um sorriso amigo, professoral, satisfeito, aliviado. É um padre que usa um hábito um tanto desgastado que não condiz com o homem bem apessoado que o utiliza, a roupa lhe empresta aspecto de personagem disfarçado dele próprio. Mantem as duas mãos à frente segurando um livro aberto, enquanto a luz humana de duas velas luta com a luz divina do amanhecer que entra flutuando pela janela semiaberta. Aquele rosto de aspecto entre beatificado, divertido, fingindo-se de surpreso aparenta 40 anos, mas não era assim divertido que o recém-chegado se sentia. Estava concentrado na sua missão noturna que acabara de completar ao colocar o livro sobre a mesa de carvalho gasta junto a um suspiro de alívio. O livro ficou imóvel acompanhando um pedaço de pão e um pedaço de queijo, ambos de procedência e constituição bastante incerta, como tudo naquele ambiente, uma mistura de sala com cozinha, um grande cômodo com palha espalhada pelo chão, que só aumentava a sensação de calor e abafamento. Também havia vinho. Retirou a rolha da garrafa e cheirou seu conteúdo, antes de colocar um pouco do líquido turvo na única taça existente, bebeu acompanhado pelo olhar curioso do padre impossível:

- Não foi difícil, foi? – perguntou o padre colocando o livro que segurava sobre a mesa.

Para enxergar o título do livro, o recém-chegado pegou uma vela de chama nervosa para verificar tratar-se do último livro de Erasmo sobre os discursos de Cícero: “Dialogus Ciceronianus”.

- Não como imaginei, mas de qualquer forma foi estranho - informou o jovem - não gostaria de ser pego com um livro escrito por um herético, mesmo sendo o livro de sua propriedade.

François Rabelais levantou-se e abriu um pouco mais a janela..

- Você encontrou sua Excelência, o Bispo? Fez a pergunta sem olhar o interlocutor, enquanto apagava as chamas com o dedo previamente umidecidos de saliva.

- Encontrei-o, Sire. Disse que Sorbonne já havia proibido a circulação de livros em linguas outras que não o francês, e que esse livro em especial, era um livro proibido, mas como o senhor não é mais um frade, isso não lhe dizia mais respeito. Em seguida ele saiu da sala deixando o livro sobre a mesa, eu só fiz apanha-lo e sair da abadia. Ele também disse que o amado frade foi açodado em sair da ordem, deveria lá ter permanecido após a tutela.

Estas últimas palavras tiveram um efeito sobre Rabelais. Ele se voltou, encarou o jovem, dizendo com determinação:

- Realmente considero um excesso o confisco da literatura latina e grega, por parte da Sorbonne mas como poderemos ter “Uma Fé! Uma Lei! Um Rei!”, se não possuirmos “A lingua mãe!”? Disse isso se empertigando e emprestando um ar solene, imperial ao discurso.

- Vamos começar a escrever em um francês iluminado pela sabedoria dos antigos, meu caro. É isso que faremos.  E isso ainda irá me curar dessa doença que me acomete – disse sorrindo.

- O senhor está doente? – perguntou o jovem – acho seu aspecto muito bom.

- Sim, estou doente. Estou sem dinheiro – riu alto Rabelais – digamos que o casamento não me fez bem.

Rabelais se referia ao casamento de Luis, sobrinho de Geoffroy, Bispo de Maillezais. Como era seu tutor viu-se repentinamente sem ocupação remunerada quando o mesmo se casou.

Geoffroy, Bispo de Maillezais, ajudou a Rabelais deixar a abadia beneditina de Saint Mesmin. Com sua influência na política eclesiástica, conseguiu os livros confiscados de Rabelais e agora os estava devolvendo. Era uma biblioteca de livros escritos em grego e latim que lhe fora confiscado quando Rabelais ainda se encontrava franciscano em Fontenay-le-Comte e, misteriosamente estava também acrescentando alguns livros à biblioteca original do frade.

O confisco de literatura grega, ao final de 1523, foi a reação do corpo docente da Faculdade de Teologia de Paris à publicação dos “Comentários” de Erasmo sobre o texto grego de São Lucas. Agravado pelo que se seguiu à publicação do livro: a propagação das idéias do mais respeitado humanista de então, Jacques Lefebvre d’Ètaples que afirmava ser a Bíblia o único fundamento da doutrina de Cristo, que os dogmas posteriores eram criados pelo trabalho de homens e que era necessário abandonar as instituições religiosas autorizadas pela Igreja para um retorno ao puro evangelho.

Foi com muita preocupação que aqueles teólogos tradicionalistas da Sorbonne viam crescer a cada dia uma inquietação espiritual em alguns dos mais eminentes intelectuais, independente da nacionalidade, que ao investigar a inteligência dos trabalhos originais da filosofia sem seus comentadores aceitos pela teologia vigente, elaboravam perguntas, levantavam novas questões, o que incomodava aquela inteligência constituída e confortável.

- Que ironia, se as obras mais preciosas da cultura grega chegaram até aqui foi graças aos copistas da Igreja. Lutero deu uma grande lição ao mundo ao traduzir a Bíblia da vulgata para a língua alemã. O grande livro não precisa mais de nós padres para fazer suas mensagens chegarem ao povo, pelo menos na Alemanha. Veja a importância em possuirmos um só idioma, uma lingua mãe caro Nicolas – disse Rabelais.

Nicolas Villegangnon trabalhava como um mensageiro de confiança, um transporte literário nas suas horas de folga dos estudos, era a forma que achou para não ficar parado. Em Paris levou várias cartas de Rabelais para Guillaume Budé, Jean Bouchet, Pierre Amy e Jean de Boyssonné. Mas era a primeira vez que saía da cidade para uma missão como essa de transportar um livro de um herético. Ao sair de Paris, e passar pelos campos no verão, era como se lhe fosse  devolvida imagens e sensações de sua infância cada vez mais distante. Estava agora preso à essa cidade fedorenta. Gostava de François Rabelais, um padre que lia e traduzia do grego para o latim com grande capacidade. Sua tradução de Heródoto do grego para o francês causou repercussão no meio estudantil no qual Nicolas estava participando. Mas acima de tudo Rabelais fazia a separação digna das possibilidades da juventude com a realidade da maturidade.

- Você sentiu medo? Perguntou Rabelais examinando o semblante do jovem.

- Sim, senti medo disse Nicolas.

- Isso é muito bom, meu caro – reagiu Rabelais após uma pausa, movendo a cabeça como se tivesse repentinamente acordado de um pensamento profundo.

- O medo é o irmão da prudência, prosseguiu, se virando novamente para a janela que emoldurava o Sena preguiçoso. É essencial sentir medo. O homem corajoso sente medo, mas o vence, o incauto nunca sente medo e, portanto não tem o que vencer. É só um irresponsável. Não há homem acima do medo e que possa gabar-se de a ele escapar, o medo está presente em toda a nossa existencia.

- Concordo Sire.

- E por falar em medo, você observa certo desespero no comportamento dessa nobreza, meu amigo? Pergunta Rabelais. As consultas astrológicas, os amuletos, os ossos dos santos comprados a preços absurdos.

- Sim, já observei. O que acha a que se deve isso?

- Se deve ao medo da mistura dos elementos, meu jovem, ao medo da mistura dos elementos.  

Rabelais tinha uma característica marcante dos homens sábios: sabia fazer as perguntas.

- O que estou entendendo é o seguinte, prossegue Rabelais tomando uma cadeira e sentando-se - imagine um cavaleiro de armadura bem nascido e criado, forte, frente a um tiro de arcabuz dado por um camponês. De que adianta atualmente, um nobre sentado dentro de um castelo que pode ser destruido com meia dúzia de tiros de canhão, ou com duas minas bem colocadas? Completou erguendo uma sobrancelha demonstrando espanto.

- Realmente não tinha pensado nisso.

- Sim, e isso não é tudo, diz Rabelais - devido ao preço a pagar por essas armas, somente os grandes soberanos poderão possui-las, a nobreza menor está condenada, meu caro.

- Deveras, para onde isso irá nos levar? Disse Nicolas.

- Pois além do preço das armas, há a necessidade de se contratar artífices para delas cuidarem e as fazerem funcionar a contento. O soberano precisará de soldados fixos na guarnição da artilharia. É muita mudança por causa do resultado de uma mistura de elementos alquímicos – disse Rabelais

E, então continuou um pouco mais agitado que o habitual, arregalando os olhos eventualmente como para carregar na importância do argumento:

- Conseguimos destruir muralhas, arremessar imensas pedras com canhões à grandes distâncias ao reunir em um pó de uma mistura de 66% de salitre, 22% de carvão e 12% de enxofre, enfim reunimos diferentes elementos cada um com diferentes qualidades que excitadas pelo calor de uma chama libera essa força diabólica.

- Aqui na França o artífice que funde o sino para as igrejas é o mesmo que funde os canhões, para isso só aumenta a quantidade de cobre e diminui a quantidade de estanho, honra a Deus e ao diabo, sorri Rabelais - A mistura, caro Nicolas, a mistura. A cura na medicina vem pelos remédios, que não passam de misturas. As fórmulas mágicas, não que acreditemos nelas, mas alguém crê, vêm das misturas, e finalmente como cozinhar, como fazer um bom prato que não seja pelas misturas. Até as palavras, não são nada mais do que misturas das mesmas letras.

- Haverá um fortalecimento do Rei, do poder central, em detrimento dos outros nobres. É isso o que o senhor está dizendo.

- Eu não diria mais exatamente – confirmou Rabelais.

- Então posso entender que será caminho mais seguro trabalhar para a realeza do que para a nobreza menor – disse Nicolas.

As conversas com Rabelais eram um complemento necessário e fundamental à sua formação, sabia disso, pois enquanto na escola estudava o conhecimento considerado constituido, as conversas davam um sentido, atavam um nó com a realidade. Só o conhecimento estudantil lhe parecia inútil se tal vínculo não existisse.

- A grande maioria dos seres humanos trabalha coagida, e dessa repulsa natural dos homens ao trabalho derivam-se os mais graves problemas. Eis o que os tornam nervosos, irritáveis e maldosos. Na verdade o trabalho é a punição ao pecado original, assim está na Bíblia. Ninguém gosta de ser punido afinal – continuou Rabelais secamente.

A carreira eclesiástica era a mais apropriada para os filhos da média nobresa sem aptidões para as carreiras militar.

Mas Rabelais ama o que faz, ama a medicina, a literatura, a alquimia, tanto em ler como em escrever, enfim ama o livre pensar. É esperto demais para se deixar levar pelas correntes sociais vigentes, se aproveita delas sem dúvida, não se deixará levar. Ao contrário da grande maioria, não se envergonha de ser um tipo de artífice, que é assim que vê as ciências. Por algum estranho motivo, Rabelais odeia a verdade pronta, não aceita um argumento até entendê-lo. Nasceu sem fé, e assim permaneceu, dizia gracejando aos que privavam de sua intimidade:

- Só estuda teologia quem não tem fé. Quem tem o dom da fé não precisa da retórica para explica-la – resumia Rabelais sobre a dificil questão que colocava em lados opostos vários doutrores da Igreja e Humanistas – confidenciava aos mais íntimos, como Dolet e Marat.

O gracejo entre irônico e perplexo de Rabelais pareceria a primeira vista ser um argumento contra os escolásticos para quem “amar sem conhecer o objeto amado era um absurdo conceitual”. Humanistas e Helenistas, tais como Rabelais, Budé e até Erasmo utilizavam com frequencia o jargão italiano “studia humanitatis” – expressão ciceroniana – para o conhecimento da gramática, retórica, história, poesia e filosofia. E os reformistas de Lutero completaram isso ao afirmarem que o estudo verdadeiro da ciência divina se dava pelo exame diretamente da bíblia e não através de seus comentadores: a Igreja.

Rabelais lia com gosto um livro obrigatório na abadia de Fontenay le Comte,  “Itineratium mentis in Deum” de Bonaventura de Bagnoregio, (Doctor Seraphicus e Doctor ecclesiae para a Igreja e humanistas), o santo franciscano, predominantemente escolástico, mas também humanista que havia ensinado em Sorbonne mais de duas centenas de anos antes.

Apesar de viver regrado por um sino, sendo obediente às horas, Rabelais gostava da reclusão onde estudava profundamente seus livros, e não sem muita surpresa tinha se deparado com a obra de Bonaventura considerado por muitos de seus colegas como retrógrado para a época.


Mais foi Pico della Mirandola, em seu livro Corpus Reformaturum que Rabelais leu que mais o abalou. Gostaria ter sido as obras de Erasmo ou de More, mas foi o livro de Pico, por alguma estranha razão que lhe acendeu uma luz distante em uma estrada muito escura, e atrás dessa luz que ele resolveu seguir como um bicho noturno.

Ao defender os escolásticos dos argumentos do humanista e retórico, Hermolao Barbaro, que ridicularizou os escolásticos, classificando-os de “homens extintos mesmo durante suas vidas”, Pico citou, em sua obra, Tomas de Aquino, Duns Scotus, Alberto Magno e Averrois:

“Esses não eram homens que andavam na companhia de gramáticos e pedagogos, mas na companhia de filósofos, homem que estudavam o príncipio das coisas humanas e divinas – suas mentes, e não suas línguas eram feitas de mercúrio. Se os escolásticos parecem ser excessivamente argutos e diretos, escrupulosos e curiosos, ansiosos e morosos, é devido estarem envolvidos na busca mais séria das questões da verdade primeira”.

Pico não considerava como perigo real aqueles homens irem tão longe à busca dos princípios primeiros, como Hermolao afirmava, mas sim em perderem o interesse completamente pela própria procura em si. Entendia como perfeita e ideal nos antigos seu apreço à sabedoria e não à oratória, ratio não oratio, doctrina e não dictio. Para reforçar o argumento, ele lembrava que Platão tinha excluido os poetas de sua república, e que Cícero teria preferido ficar em uma ineloquencia prudente a manter uma loquacidade desinformada. Para resumir seu ponto de vista, Pico cita o contraste entre o poema de Lucrecio, De rerum Natura e o poema de John Scotus Erigena De divisione naturae:

“Quem duvida que Erigena fala mais sobre a verdade do que o eloquente Lucrecio? Veja como Erigena fala com uma lingua desajeitada, mas Lucrecio com uma mente tola; Erigena possui uma lingua ignorante das regras dos gramaticos e dos poetas, mas Lucrécio não conhece os decretos de Deus e da natureza; Erigena fala com a mais infantil das línguas sobre as mais elevadas coisas; enquanto Lucrécio, por outro lado, prega as mais eloquentes impiedades”.

Rabelais estranhou a comparação e se sentiu estimulado a encontrar uma cópia do livro de Lucrécio. O que seria tão tolo em Lucrécio, a ponto de seu poema ser considerado impiedoso por Pico della Mirandola?

Além do livro de Pico, contava Rabelais com a segunda edição de Utopia de Thomas More, lançada em 1517 em Paris, alguns livros de Luciano, Cícero, Ockham, Aristóteles (em grego), faltava-lhe agora Lucrécio.

Fé, para Rabelais, era como um dom. Ou se nasce com ela, ou pode-se até obtê-la, através do conhecimento intelectual de algunas coisas que se reputem verdades indiscutíveis, mas não será bruta, interna como o dom.

-Sou um cético, disso não tenho dúvidas, mas não tenho a fé como gostaria e invejo quem a tenha.

Ao dizer isso Rabelais se recordou de epis como ele e Pierre Amy “consultaram Virgílio” para saber que providencias tomar quando seus livros em grego foram-lhes confiscados na abadia franciscana. A consulta consistia em abrir a Eneida aleatóriamente e interpretar o significado do texto encontrado, naquele dia saiu:

Heu! Fuge crudeles terras! fuge littus avarum.

O pensamento de algum Platão e de Bonaventura entra em seu raciocínio: “Estimas ser possível conhecer a alma sem conhecer suficientemente toda a natureza?”. Essa inteligência ocorreu a Rabelais enquanto ser recordava ter usado

Nicolas Villegagnon se despediu com uma meia vênia e saiu deixando Rabelais com suas reminiscencias que esperou a porta fechar, e somente então encarou o livro com certo alívio. Abriu-o e o conteudo iluminou seu rosto, finalmente seu livro mais precioso lhe era devolvido, De rerum Natura, de Lucrécio Caro. “Agora sim posso me entender melhor com ele”, pensava entre os dentes, enquanto se via enviando uma longa carta para Erasmo de Rotterdam, que certamente a leria extasiado, com um sorriso nos lábios.

Nicolas desce a escada sem se voltar. Sua educação lhe impediu de examinar o livro, mesmo sabendo de que se tratava de um livro importante como sugerido por Geoffrey d’Estissac. Estava cansado da viagem da abadia de Maillezais à Paris apesar de tê-la realizado com calma, cuidando para não ser identificado e assaltado, cuidando para não ser tomado por um algum nobre. Não se acostumava a essa carreira de correio, mas percebia ser um início de carreira que poderia lhe ser útil de alguma forma, afinal era de confiança, e já possuia apesar da pouca idade, contatos importantes.

terça-feira, outubro 01, 2013

E por falar em Livros...

Aproveitando o post de Bel... acabei de ler um livro que não está nos “mais vendidos” nem tão pouco é conhecido ou divulgado na mídia.
 
A narrativa é muito tranquila e divertida, tive bons momentos de descontração nos dois primeiros capítulos – O Passado Distante e Amor. Já os dois capítulos seguintes me encantaram com o desenvolvimento de algumas ideias sobre os temas abordados – Casamento e Sexo, mas já no final do capítulo estava horrorizada. Por fim o ultimo capítulo – O Futuro que se Anuncia, concordei com muitas novidades, mas ao mesmo tempo estava com os cabelos em pé e descobri o quanto sou careta.
Esse livro veio parar nas minhas mãos de uma forma inesperada e me fez repensar meus conceitos e vi que não é fácil mexer com anos e anos de valores culturais, mesmo sabendo que antes de cristo muito já se falava sobre isso.
O livro faz um apanhado da história desde antes de Adão e Eva, aborda casos dos pacientes da autora e levanta questões pouco discutidas, seja por vergonha, tradição ou medo. Durante a leitura separei vários pequenos trechos, mas vi que poucos podem ser publicados aqui (não temos censura no Caravana, mas temos que respeitar para não chocar). Segue um pequeno trecho livre de censuras: “A igreja atacou o hábito do banho, considerando que qualquer coisa que tornasse o corpo mais atraente era incentivo ao pecado. Santa Paula acreditava que a pureza do corpo e das vestes significava a impureza da alma. Os piolhos eram chamados de pérolas de Deus, e estar sempre coberto por eles era marca indispensável de santidade.”
E o mais interessante foi a descoberta do Pecado. Não foi quando Eva comeu a maça, mas sim quando o homem abandonou a caça e percebeu que um carneiro conseguia emprenhar mais de 50 cabras!
Boa leitura e que comecem a colocar a Cama na Varanda, recebendo a brisa fresca dos novos tempos.
A Cama Na Varanda – Regina Navarro Lins.

domingo, setembro 29, 2013

TRILOGIA SÉCULO XIX

Terminei de ler 1889, o  último volume da trilogia de Laurentino Gomes, que tem  o subtítulo "Como um Imperador Cansado, um Marechal Vaidoso e um Professor Injustiçado Contribuíram para o Fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil".

Para mim valeu muito a pena a leitura dos três. É ler história no ritmo de jornalismo, bem diferente da história oficial, aquela que ouvíamos na escola. Comentam por aí que os professores de História das Universidades abominam este tipo de livro, acham que é pesquisa superficial e interesse financeiro. 

Quando eu era estudante do ensino fundamental (???), (primário e ginásio, como se dizia antigamente) detestava história então leitura acadêmica destes assuntos até hoje não me interessa. Prefiro assim. Bom também para comparar os dias atuais com o século dezenove, acho que politicamente não evoluímos muito.

quinta-feira, maio 16, 2013

Livros

Ganhei de meu filho no dia das mães o livro de Domingos Pellegrini  - " Herança de Maria". Creio que ele escolheu o livro se baseando no tipo de leitura que gosto, é um livro falando de mãe (Dia das Mães), como ele mesmo escreveu na dedicatória:  "queria dar-te um presente, mas não sabia o quê. Pensei em dar-te flores, perfume, roupas, mas pareciam a mim demasiado etéreos.  Procurei então a solução num  campo em que sou, nada humildemente, bom connaisseur, o dos livros......". E não é que ele acertou, sempre acerta. Terminei de ler hoje de manhã, muito bom, me lembrou as histórias de vovó Nicácia, uma mulher a frente do tempo, lembrou também da época em que vivi, inflação, mudança de costumes.......

Outro livro que li recentemente da herança de Bel (ela emprestou a mainha) foi a "A COSTUREIRA E O CANGACEIRO" de Frances de pontes Peebles, uma história bem contada, leitura fácil, maravilhoso.

Li os dois bem rapidinho, e fico pensando como existem ainda bom escritores. Como eles conseguem usar a escrita para te transportar para outros tempos, outras vidas....

terça-feira, janeiro 29, 2013

Literatura feminina


Há muito mais tons que apenas cinquenta na literatura feminina. Recentemente li alguns livros muito bons, mais dirigidos para este público, sem querer discriminar... Vou comentar então INFIEL de Ayaan Hirsi Ali. É um livro de memórias que conta desde  a sua infância na Somália, onde nasceu, e nos vários países onde morou: Arábia Saudita, Quênia, Etiópia até pedir asilo na Holanda onde viria a ser deputada. Perseguida e ameaçada de morte pelos fundamentalistas islâmicos, mudou-se para os Estados Unidos.

Ayaan nasceu numa família mulçumana e foi criada nesta religião. Quando criança foi submetida barbaramente à operação de clitorectomia, sem anestesia, por responsabilidade absoluta da avó, sem o consentimento do próprio pai, que não concordava, mas infelizmente vivia longe. Este procedimento é comum na Somália e o pior é que as crianças passam por este sofrimento e mais tarde a cultura e a religião fazem com que elas cresçam acreditando ser isto o correto. Passam a si considerarem mais puras que as seguidoras de outras religiões  e posteriormente repetem o processo com suas próprias filhas e netas.
Por ter vivido também no Quênia e na Etiópia, Ayaan aprendeu inglês e teve acesso a literatura e ao cinema ocidentais, fazendo com que ela começasse a questionar os ensinamentos da religião e  não aceitar determinados costumes tais como o casamento arranjado pela família. Sonhava ter uma profissão, mas foi forçada a se casar, contra a sua vontade e sem necessidade de comparecer a cerimônia, pois o pai tem autoridade para resolver tudo. Por sorte, o noivo morava no Canadá onde ela iria encontrá-lo. Ao parar em Frankfurt, ficou deslumbrada com o mundo ocidental e  fugiu para Holanda onde conseguiu asilo e mais tarde cidadania.
Aprendeu holandês, entrou para a faculdade para estudar História e Política, então  trocou a religião pela razão, passou a defender as mulheres e ser uma crítica ferrenha ao Islã. Conheceu um cineasta holandês e juntos fizeram um filme que atacava Maomé e a religião. Os dois foram então condenados à morte pelos radicais islâmicos, que conseguiram assassinar o cineasta.

Inacreditável que em pleno século XXI, aconteçam tais coisas, quantas mulheres no mundo não sabem o que é viver em liberdade, ter direitos iguais, ser respeitada pelo que é e não pelo seu marido ou nome de família? Quando penso que  Ayan Hirsi Ali é 17 anos mais nova que eu,  que não estou lendo uma história da idade média e sim dos dias atuais, fico feliz por ter nascido neste Brasil, ó Pátria Amada, Idolatrada, Salve, Salve.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

E por falar em Ayn Rand - dois romances monumentais

Um dia navegando pela internet despreocupadamente caí num site em que o autor fala de suas listas de livros, filmes e poesias preferidos. Ele considera o livro A Nascente, de Ayn Rand , disparado, como ele afirma, o melhor, o preferido dele. Fiquei curiosa e descobri  em seguida, que Ayn Rand, além de escritora era roteirista e filósofa. Sua filosofia defende o individualismo a todo e qualquer custo, idéias consideradas como um egoísmo racional, tais como, o homem deve definir seus valores e ações a luz da razão, um individuo não deve se sacrificar-se por outro nem esperar isto de outros e a defesa da propriedade acima de tudo.

A Nascente é um livro de 800 páginas, em que a autora começa a desenvolver o que viria a ser mais tarde a sua filosofia: o objetivismo. Ela fez uma pesquisa ampla e profunda sobre arquitetura, uma vez que o herói da história é um arquiteto, Howard Roark, um sujeito completamente racional, intransigente, íntegro, com sua autoconfiança inabalável. Sofre muitas injustiças, mas não desvia um milímetro das suas convicções ferrenhas. Em minha opinião, ele deveria ser um pouco mais flexível, mas não, a história do livro é mostrar como este homem triunfa, o que ele é, o que ele quer e o que ele consegue, sempre em paz consigo mesmo, sem importar com que os outros pensam ou sentem.

Ayn Rand era atéia e acreditava piamente na capacidade do homem: “Já ouviu com que prazer as pessoas citam alguma grande celebridade que proclamou que não é tão grande quando olha para as Cataratas do Niágara? É como se elas estivessem estalando os lábios de pura alegria pelo fato de que as melhores pessoas são como poeira diante da força bruta de um terremoto. Como se ficassem de quatro esfregando suas testas na lama, em homenagem à grandiosidade de um furacão. Mas esse não é o espírito que controlou o fogo, o vapor, a eletricidade, que atravessou oceanos em barcos à vela, que construiu aviões e represas... e arranha-céus. O que eles temem? O que aqueles que amam rastejar, temem?” (texto de A Nascente)

Comprei o segundo livro A Revolta de Atlas, em torno de 1200 páginas, best-seller há 50 anos, com 11 milhões de cópias vendidas no mundo. Um texto na capa diz que este é considerado o livro mais influente nos Estados Unidos depois da Bíblia, segundo a biblioteca do Congresso Americano. Foi publicado pela primeira vez em 1957. A história se passa numa época em que as forças da esquerda estão no poder. O mundo cheio de repúblicas populares, a intervenção do Estado na iniciativa privada, e a economia caminhando para o colapso. Começa então um movimento dos empresários que tomam ações para modificar a situação. Oposicionista ferrenha do socialismo, a autora, defende atitudes do individuo contra o Estado ou contra qualquer tipo de religião que obrigue as pessoas a abrir mão de seus direitos.

Dois romances monumentais que li em 2012. Valem a pena.

Ave, Ayn

Quando a filósofa e escritora norte-americana Ayn Rand (1905-1982), de origem russo-judaica, escreveu isto, até parece que, por antecipação, se referia ao Brasil lulista:

Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício, então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Em busca do livro certo: Armas, germes e aco

Desde novo sempre gostei muito de ler. Lia tudo, mas acabei seguindo engenharia pois matematica e fisica fazia sentido. Historia e geografia era so decoreba nao fazia sentido. Decorar o nome da capital de mais de 100 paises, estudar batalha do Riachuelo e dia do Fico, nao fazia sentido.

Quando vim estudar nos USA em 1974 tive meu primeiro choque. Algumas materias tecnicas que dificultaram minha vida em Sao Paulo de repente com o livro certo e professor certo se tornaram favoritas. Eu me lembro de mecanica dos fluidos como a mais importante desta categoria.

Tambem sempre tive uma grande curiosidade de entender historia e geografia. Porque o Brasil com todos os recursos e gente nao progredia como EUA e Europa?

Desde entao tenho procurado e achado os livros certos. Vou comecar a escrever um por vez aqui no CA. O de hoje e um dos livros mais importantes desta viagem a compreender nossa historia. "Armas, germes e aco" do escritor Jared Diamond teve uma grande influencia para mim. O escritor era medico e professor de fisiologia que mudou para geografia e antropologia. Antes deste livro eu achava que antropologia era palavrao, mudei completamente.

Neste livro ele analisa a historia da humanidade do inicio. Como iniciou na Eurasia e outros lugares e como cresceu ou definhou. Ele utiliza exemplos muito interessantes para aticar a curiosidade do leitor: como Pizzaro com 800 soldados espanhois derrotou 80.000 incas. Ele da um grande peso a geografia como a causa de crescimento de uma civilizacao. Civilizacoes em locais que podem se expandir na direcao leste-oeste crescem, com expansao Norte-Sul morrem. Isto resulta do fato que o clima e o mesmo na direcao leste-oeste, portanto e facil expandir com os mesmos produtos agricolas e animais.

Por isso a maior expansao da humanidade a longo prazo se deu na Eurasia, onde existe uma grande extensao de terra na direcao leste-oeste. O fator geografia e muito reforcado no livro, mas ele tambem faz varias analises brilhantes com outros fatores. Por exemplo, varias civilizacoes pequenas e grandes falharam ao longo do tempo por se isolarem por necessidade ou por escolha. A China era enorme e produtiva no seculo 14, mas acabou diminuindo por escolher o isolamento.

Porem a razao que eu gostei tanto do livro nao e que eu aceite todas as ideias do autor, mas o fato que a evolucao da humanidade pode ser analisada de maneira logica! Eu posso explicar por que tinhamos indios no Brasil antes do portugueses e nao uma civilizacao avancada. De repente meu raciocinio e valido, e mesmo antropologia explicada de uma maneira logica e sensata nao e palavrao.

  Minha breve e inesquecível carreira de vendedora de sebo (Bienal do Livro Bahia - 2026) Gosto de livros desde a adolescência e, como todo ...