quarta-feira, março 13, 2013

De volta ao Brasil com novos olhos

 Estou retornando do Brasil de uma viagem de 9 dias. Fui a Conquista, via Rio e Salvador resolver problemas de imposto de renda. Retorno ao Brasil sempre, mas parece que desta vez vi mais coisas. O que eu vi ja estava aqui antes, so que eu nao via.

A parte de viagem foi otima, tudo correu bem. Fiz turismo familiar, fiquei com Fernando e Bel em Salvador, fiquei com Rene e Marilanda em Conquista e com Jairo no Rio. Fui tambem recebido por Pat e Andre para um churrasco no Rio.

Claro que houve a parte cômica. Fui para Conquista de carro, na ida perdi 2 horas em um conserto entre Feira e Santo Estevão. Como eu sou esperto conversei com titio Fernando, ele me sugeriu entrar em Itatim, depois de Milagres sair em Castro Alves e Cruz das Almas na BR-101.

A principio desconsiderei o plano por medo de me perder. Mas eu sou americano esperto, 20 anos de Google Maps, carregando um GPS, fui estudar o assunto. De acordo com Google Maps tinha uma estrada, a famosa BA-493, que passa ao norte de Itatim, fora da cidade. Bom, com Google eu vou. Fiz meu homework, escrevi todas distancias em décimos de quilometro e fui em frente seguro.

Antes da BA-493 tinha uma entrada para Itatim, mas eu esperto, 20 anos de Google, não queria passar dentro de Itatim, fui em frente. Veio a segunda entrada de Itatim, arremetei, andei um pedaço e voltei. Continuei a procurar a BA-493 com ajuda do GPS. Apos 1 km, a voz electronica do GPS me diz “VIRE A DIIRREEIITAA”. Era barranco não tinha nem estrada de terra.

Como a pratica não funcionou passei a teoria. Imaginei a inauguração da BA-493 no CAB (Centro Administrativo da Bahia), coquetel com a presença de representantes do Google e diversos fabricantes de GPS, enquanto o dinheiro da estrada seguia em direção a Franca!

Enfim, desisti da alternativa Google-GPS, fui em frente e enfrentei outras 2 horas de engarrafamento baiano!

A única  ma noticia ate agora recebi hoje de manha, o falecimento inesperado de Inocencio. Meus sentimentos a toda sua familia direta e parentes, perdemos uma grande figura humana.

Alem das fofocas normais, tem 3 coisas que eu compreendi nesta viagem.  Eu nao sou oráculo mas tenho direito a minha opinião, respondam e discutam mas nao se ofendam com minhas idéias.

 

Economia Brasileira.

Estou em negociacoes para receber dinheiro aqui, e esta negociacao depende muito da economia brasileira, especificamente de como o preco do boi gordo e do dolar vai variar nos proximos 2 anos. Vou estudar depois em detalhes com dados, mas ja formei uma serie de premissas descrevendo a macroeconomia brasileira, e vou tentar confirmar ou mudar obtendo informacoes..

A economia brasileira gira em torno de 3 fatores: exportacao de commodities, importacao de manufaturados e consumo interno de manufaturados locais. A exportacao de commodities resulta de vantagens locais como clima e area territorial. Tambem o “Custo Brasil” com impostos, burocracia e outros incide muito menos por estarmos lidando com grandes lotes.

Na area de manufatura a coisa pega. Com uma industria pouco competente e incidencia forte do “Custo Brasil” nao somos competitivos la fora.  Assim, necessitamos de proteção alfandegária para levar ao consumo dos nossos manufaturados no mercado interno.

Portanto o preço do dólar depende de varias considerações. Se o dólar sobe nossas commodities se tornam mais competitivas no mercado externo. Vendemos mais para fora, falta produto para venda interna e vem inflação. Reconheço que não e tão simples assim, taxa de juros para industria e publico também entra na equação, preciso estudar mais.

E o preço do boi? Caiu recentemente, me disseram na Bahia que e por causa da seca. Porem discutindo no Rio, soube que a seca e so na Bahia, mas vários países suspenderam importação do Brasil devido ao caso de vaca louca no sul, e criação de gado no alto Xingu em ares protegidas por agencias da ecologia. Faz bem mas sentido do que seca em um estado com uma fração pequena do gado do pais.

 

Comportamento Humano

 Eu já viajei pelo mundo e me dou bem, também nos Estados Unidos onde vivo. Porem ao chegar no Brasil de repente fica melhor. Eu converso e brinco com todo mundo, e uma festa. A principio eu achei que era por tinha voltado a minha terra mas sexta feira tive uma lição interessante.

Estava em Conquista, fui com Rene a tarde carregar a pickup para ele ir a fazenda no dia seguinte. Eu estava desocupado, larguei o Martins e o americano em casa, fui relaxado. Paramos em dois lugares, em cada um gastamos 45 minutos para fazer fazer 5 minutos de trabalho. Tomamos boca com carregadores, caixeiras, escriturarias, donos, gerentes e etc. Em um lugar teve uma consulta e negociação de venda de propriedade.

Este processo baiano (São Paulo e menos assim), pode ser mais ineficiente, mas o contato humano e fantástico. Depois de 30 anos nos Estados Unidos eu conheço poucas pessoas que eu posso comportar assim, e certamente não com pessoas com quem tenho um contato comercial. Uma conclusão interessante e notar que brasileiros gostam de ir ao exterior de turma, levando a festa e depois reclamam que os estrangeiros são frios e quietos. E claro, não são brasileiros.

Portanto, parabéns brasileiros, podemos ensinar ao mundo como viver.

 

Comportamento Moral

Na volta de Conquista passei por uma carreta recém-capotada perto de Poções. A carga de sacos se espalhou ao lado da estrada. Não vi ninguém tentando socorrer o motorista, nas tinha gente de sobra roubando a carga. Alguns locais levando na mao, galinhota, etc, e outros carregando em carros pequenos.

A minha primeira impressão era que os pobres não tinham princípios, como podiam fazer isto? Depois comecei a questionar se a carapuça me caberia. Nossa família sonegou todo imposto que pode. Em Conquista pistoleiros eram aceitos na sociedade. Eu mesmo uma vez fiz seguro de carro capotado para consertar de graça.

Quando cheguei no Rio estava conversando com amigos que conhecem bicheiros, e diziam que os bicheiros tinham sido expulsos da direção das escolas de samba. Acham este expulsão um absurdo e uma hipocrisia, um bicheiro tão bonzinho!

Portanto se nos a elite comportamos desta maneira, não podemos de maneira nenhuma esperar que os pobres respeitem a carga de uma carreta na estrada.

2 comentários:

Bel B disse...

Lula,
Você que é brasileiro e viveu no Brasil mais de 20 anos, se surpreende com o nosso comportamento, imagine Tarsis, criada na cultura americana, quando passou aquela temporada aqui e na época só tinha 15 anos. Tenho impressão que ela achava que era só com ela, que todos brincavam, Fernando e os meninos, os vizinhos, o pessoal do transporte escolar, os colegas, etc... Ela ficava seriamente irritada e falava: “Será que todos aqui pensam que sou idiota?”.

Outro dia vi uma palestra interessante de um indiano falando das dificuldades das empresas ocidentais na Índia devido aos problemas culturais. Uma das coisas que ele dizia era que o povo ocidental era muito apressado porque quer resolver todos os problemas nesta vida, e o indiano é muito mais tranqüilo porque acredita em várias vidas....

Fernando disse...

Lula
A vida não é um negócio e sim um parque de diversão.

Fernando