segunda-feira, maio 02, 2016

CINCO RITOS TIBETANOS

Conheci Geraldo quando estava na faculdade e fomos aprovados num concurso para nos tornar programadores. Trabalhamos juntos e ficamos muito amigos. Depois, eu permaneci na área de informática e ele preferiu ser engenheiro. Perdemos o contato cotidiano, mas ao longo destes anos de vez em quando, eu e Fernando nos encontramos com ele por puro acaso e  sempre foi marcante. 

A primeira vez, nos anos 80, ele nos contou de sua  “amizade colorida” com a própria esposa, isto é, cada qual vivia num apartamento e “ficavam” quando estavam a fim de ... No resto do tempo, total liberdade para ambos.
Depois se juntaram novamente e foram para Alemanha onde passaram 5 anos.
Nós nos encontramos posteriormente num Carnaval, na década de 90, e as filhas dele já eram adolescentes e para a nossa surpresa, a esposa dele bem liberal com as meninas e ele controlador, mas se justificou dizendo que antes ele era consumidor e agora havia se tornado um  fornecedor.

Já neste século, eis que encontramos Geraldo num Shopping e neste dia ele nos falou dos Cinco Ritos Tibetanos do qual ele era seguidor  há vários anos. São 5 exercícios antigos que eram praticados por monges tibetanos e que prometem mil maravilhas: saúde, equilíbrio de peso, flexibilidade, energia, disposição, sono profundo entre outros. O livro que ensina os exercícios foi traduzido aqui no Brasil como A Fonte da Juventude (Peter Kelder), título este que Geraldo achou inadequado. Na época comprei o livro e até tentei praticar, mas não fui adiante.

Recentemente eu e Fernando nos batemos com Geraldo numa Pizzaria e como sempre aquela festa, muita gozação e muita risada. E ele continua praticando os cinco ritos e falando dos resultados maravilhosos que ele sente. Ele que é engenheiro mecânico, desenvolveu e patenteou máquinas para a prática dos ritos, que segundo sua experiência, potencializam os resultados. 


Para quem se interessar pelo assunto:


quinta-feira, abril 28, 2016

Noticia triste



Registro aqui também os momentos tristes. Infelizmente Patricia Barreto (32 anos), filha de Jandira, faleceu esta madrugada em Aracaju.  Ela estava na UTI há mais de um mês e ontem foi submetida a uma cirurgia, devido a uma bactéria ter se alojado no coração.

segunda-feira, abril 18, 2016

Vida de vagabundo...

Isto é, vida de aposentada...

Baseada num evento que há na escola de Bia e Let nos Estados Unidos que durante um determinado tempo os alunos têm que ler tantos livros, correr tantos quilômetros e fazer boas ações, decidi há algum tempo estabelecer uma meta de leitura semanal para mim. Por que?...  esta tal de internet, se não tomarmos cuidado, ocupa todo nosso tempo e no final o que fica é muito pouco. No facebook ou whatsapp se olharmos todos os textos, ouvirmos os áudios e vermos todos os vídeos sugeridos... lá se foram minutos, horas, o dia inteiro.

Estabeleci uma meta de leitura de 200 páginas por semana o que não é muito, mas quando o livro é muito bom, dobro a meta rapidinho. Se por acaso não alcanço a meta analiso se houve algum impedimento ou se o livro é chato e simplesmente enrolei, motivo para eu abandoná-lo, 

Pelas manhãs passo 1:30h a 2:00h malhando na Academia. E para completar ganhei uma pulseira fitbit e agora estabeleci uma meta de quilômetros semanais, correndo ou andando. A pulseira marca seus passos e quilômetros diários e passa as informações para o celular, vibra quando a gente chega aos 10.000 passos por dia.  Incentiva. Agora penso em estacionar o carro mais longe, subir e descer mais escadas, enfim monitoro para alcançar a meta do dia. 
a Pulseira Fitbit

O que mais faz uma aposentada?... cinema, notícias, palestras no youtube. Outra atividade: dou assistência a meu pai, o acompanho para médicos e administro as finanças. Além é claro das tarefas domésticas. 



E para não deixar o blog morrer, decidi também colocar uma postagem por semana por aqui, independentemente se alguém lerá ou não.   As vezes apenas repasso fotos e notícias que recebo por WhatsApp. É uma forma de arquivar o que acho mais interessante.
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Relatório semanal do Fitbit que recebo por e-mail:

Hi Isabel B., here are your weekly stats.
Apr 11, 2016 to Apr 17, 2016
WEEK'S MOST ACTIVE DAY
Fri, Apr 15
WEEK'S LEAST ACTIVE DAY
Sun, Apr 17


TOTAL STEPS
68,879 
DAILY AVERAGE
9,840 steps
BEST DAY
13,047 steps
TOTAL DISTANCE
49.05 km 
DAILY AVERAGE
7.01 km
BEST DAY
9.78 km
TOTAL FLOORS CLIMBED
19 
DAILY AVERAGE
floors
BEST DAY
floors
TOTAL CALS BURNED
11,896 
DAILY AVERAGE
1,699 cals
BEST DAY
1,837 cals
WEIGHT CHANGE
0.0 kg
LIGHTEST
58.0 kgHEAVIEST
58.0 kg
AVG SLEEP DURATION
hrs 39 min 
AVG TIMES AWAKENED
13
AVG TIME TO FALL ASLEEP
--hrs --min

quinta-feira, abril 07, 2016

Toma lá, dá cá...

Na minha infância e inicio da adolescência em Conquista, eu frequentava a Igreja Batista, não por opção, mas por obrigação. A condição, imposta por minha mãe, para frequentar o cinema era ir para igreja. Não tinha internet, a televisão era precária, então o que tínhamos eram  cinema, livros, revistas em quadrinhos, discos e amigos.

Em termos de religião conhecíamos a Batista, a Católica, os Testemunhas de Jeová e o Espiritismo. Dos conhecidos como crentes ou evangélicos, além da Igreja Batista, havia também a Igreja Adventista e a Presbiteriana. Não havia esta horda de evangélicos que vemos hoje.
A Igreja Batista funcionava como um clube. As pessoas que eram batizadas eram Membros de Igreja (uma espécie de sócio do clube) e tinham a obrigação de pagar o dízimo. Na igreja havia um Gazofilácio (nunca esqueci este nome pois estava escrito em letras grandes brancas), uma caixa de madeira em formato de carteira de escritório com uma fenda aberta em cima onde os fieis colocavam os envelopes com o dízimo ou ofertas. Havia um envelope para cada tipo de depósito, onde o usuário colocava seu nome para identificação do depositante. O precursor do caixa rápido.
Entendia que aquele dinheiro era para fazer a igreja funcionar, óbvio. E em algumas épocas o pastor solicitava mais colaboração (Ofertas) e dizia para que finalidade, por exemplo, reforma na Igreja ou Campanhas de Natal para doação aos pobres.
Podia até não ser sério mas parecia ser...

Mais tarde com o surgimento de tantas religiões evangélicas e a chegada destas religiões à televisão, me surpreendi com Toma Lá – Dá Cá destas igrejas. Virou comércio com Deus. Já vi cenas da Igreja Universal em que o Pastor orienta os fieis fazerem seus pedidos escritos e colocarem uma quantia em dinheiro para receber a bênção solicitada.

Neste ponto vejo a semelhança do Toma Lá – Dá Cá da política. Sabemos que há e sempre houve negociações entre Partidos Políticos para aprovação das medidas no Congresso e Senado. Mas agora nem há mais disfarce. Escancarou. É uma vergonha!....


segunda-feira, março 28, 2016

Je suis Brasil!...

Há alguns anos vi um filme cuja história se passava na Iugoslávia, sobre dois amigos de infância, um  sérvio e o outro bósnio.  Após uma crise econômica na Iugoslávia começam  antigas rivalidades entre grupos étnicos e a guerra civil toma conta de Sarajevo. Todos são obrigados a lutar pela causa em que acreditam ou para salvar a própria pele e os amigos têm as vidas transformadas em um inferno.
O filme muito me impressionou e esta semana recordei o mesmo, devido a guerra no nosso país pelas redes sociais, com a crise que vivemos.

Tenho muitos amigos, pessoas inteligentes e esclarecidas que não dependem do governo,  que defendem Lula, Dilma e até o PT... 
Diferente do Fora Collor que eu me lembre, estávamos todos unidos, agora o país está dividido. Parecemos torcidas de futebol  que  discutem e brigam e ninguém convence ninguém a mudar de time.  E assim ódio se dissemina entre as torcidas, uma acusando a outra...As vezes vejo alguma coisa no facebook que acho absurda e não me contento, faço um comentário mordaz. Charges, desenhos ou imagens montadas com inverdades há dos dois lados.

Começo a ficar assustada.  Felizmente esta semana já apareceram algumas crônicas de jornalistas que pedem calma e  lembram que precisamos aprender a conviver com as diferenças, aceitar as pessoas que pensam o oposto de nós. Lobão fez uma carta aberta a Caetano, Chico e Gil em que declara o seu amor e os chama para um debate pacífico pelo Brasil. 

De minha parte, ocultei alguns amigos mais radicais no facebook para evitar colocar meus comentários desnecessários. Mais adiante os reabilito.  Por outro lado vou pensar um pouco mais antes de compartilhar determinadas coisas, mesmo que sejam engraçadas e criativas.  
   
Afinal, nós queremos a democracia e como já se disse por aí: toda unanimidade é burra!...


domingo, março 27, 2016

Mês de março - haja aniversariantes, haja festa!

Rose Any
Lara

Edinho

Andressa



















Pat

E tem mais: Robson, Hamilton Ipê, Leri, Paula Neves...

segunda-feira, março 21, 2016

Agenda da semana...

 Semana agitada. Igor, Rose e meninas chegaram no dia 11/março, depois de mais de um ano sem aparecer por aqui, na espera da liberação do green card.
Logo no sábado houve uma festa de comemoração do aniversário de Rose Any. Muito bom pois além de encontrarmos a simpaticíssima e festeira Familia Ramalho que só vemos quando Igor e família estão por aqui, também muitos amigos, inclusive, Zereu e Tania, tão queridos e que não víamos há um bom tempo. O cotidiano toma conta da gente e nos afasta das pessoas que gostamos, sem mesmo perceber.
Zeu, Igor, Rose, Tânia, Isabel

Célia e Ademário que  estavam na cidade, não puderam comparecer, o que foi uma pena, devido a um mal estar de Ademário desacostumado das iguarias baianas. E assim retornaram para os States na segunda, dia 14/03.
Letícia, Lara e Beatriz

Durante a semana, além das bombas diárias da política que cada dia mais nos deixa boquiabertos, vamos acompanhando a programação da turma. Na quinta-feira chegou Gilberto, no dia seguinte houve almoço festivo, a noite jogo de cartas com as meninas e pizza. E sábado para completar aniversário de Lara, que fez 2 anos. Festa simples e prazerosa reuniu familiares e amigos íntimos. E assim em vez daquela grande confusão que é festa de criança, tivemos oportunidade de bater papo tranquilamente e as crianças, em torno de 10, brincaram e se divertiram a vontade.

No mesmo sábado em questão houve o Casamento de Claudinha e Mauricio em Interlagos, para onde se dirigiu grande parte da família, que por esta coincidência de datas, não pude participar. Acompanhei pelo whatsApp, fotos e vídeos. Foi um festão!... Que algum participante deixe registrado por aqui.




segunda-feira, março 14, 2016

#vamosprarua


E nós fomos ...

Em Salvador



Em Conquista


Em São Paulo


No Rio de Janeiro

sábado, março 12, 2016

Trancoso - Teatro L'Occitane





História do Teatro – www.musicaemtrancoso.org.br
Muito antes de iniciar seus estudos na Universidade de Artes Aplicadas de Viena, o arquiteto François Valentiny já sonhava em visitar Brasília, que considerava a obra-prima de Oscar Niemeyer e o berço da arquitetura moderna no mundo. “Comparado com a Europa, o Brasil representava o novo. Eu nunca imaginaria construir um projeto aqui”, conta Valentiny.
“Mas a vida é cheia de surpresas”, continua. Em 2008, enquanto seu escritório finalizava o Pavilhão de Luxemburgo, seu país natal, na Expo de Xangai, ele viajou a Trancoso para visitar os amigos Sabine e Carlo Lovatelli, fundadores do Mozarteum Brasileiro, que organiza espetáculos de música clássica e contemporânea.
“No meio do paraíso, em uma noite mágica, conhecemos os donos da L’Occitane en Provence, Dominique e Reinold Geiger. Rapidamente percebemos que compartilhávamos aspirações e o amor por este país”, relembra Valentiny. Nascia o festival Música em Trancoso e, com ele, o Teatro L’Occitane, que abriga os concertos. Valentiny entrou com a arquitetura, a Mozarteum Brasileiro com a direção artística e administrativa e, a L’Occitane com o patrocínio.
Vale a pena entrar no site.





Música, Sol, Mar e Boa Companhia

TRANCOSO

Depois de anunciar várias vezes  o Festival Música em Trancoso, finalmente consegui participar deste evento e em boa companhia.

Pouco divulgado em Salvador viemos a ter conhecimento do evento através de Bete,  que por sua vez conheceu devido a Neusa, sua irmã , que é jogadora de golfe e participa dos torneios realizados na mesma época do festival.

Além da companhia das duas citadas, tivemos também Sandra e Eliezer.  Passamos 3 dias, vimos 3 espetáculos maravilhosos, passeamos em Trancoso, conhecemos Caraívas, uma praia da região. Participamos da premiação do Torneio de Golfe, do qual Neusa foi campeã.

Caraívas


O Festival dura 1 semana e cada dia um tipo de música. Vimos um concerto de música clássica no primeiro dia. No segundo, opereta, com um Barítono e uma Soprano austríacos. O terceiro dia foi dedicado a bossa-nova com César Camargo Mariano no piano e a cantora Madison McFerrin. Algumas músicas foram acompanhadas por músicos internacionais com violino, clarinete e flauta. Nos dias seguintes teria Jazz, Música de Câmara, Rock, etc

É claro que NÃO há um dia para axé!.. Vixe Maria!...

Sandra, Fernando e Eliezer na entrada do Teatro
Sandra, Neusa e Bete
Os espetáculos são a partir das 18:30h o que nos deixa liberados a partir das 21h, então todos os caminhos levam ao Quadrado, onde os turistas se encontram. É uma enorme praça com vários bares, restaurantes e lojas. Como nosso grupo não é de farra nos limitávamos a comer beiju, brigadeiro, picolés e depois o sono dos anjos. Durante o dia sim: alguns drinks e almoço. Por ser um recanto turístico com muita gente rica é tudo muito caro. 

PORTO SEGURO
Após sairmos de Trancoso, eu e Fernando, passamos 1 dia e meio em Porto Seguro, com Alan, Lílian e Daniel. Muito boa a recepção e atenção dos anfitriões, além da oportunidade de conviver um pouco com Daniel.

Irreconhecível  Porto Seguro, após 25 anos. Mesmo em março muitos turistas. Segundo Alan, o turismo aumentou muito por lá em 2015, devido a alta do dólar, muitos estrangeiros, como também brasileiros que deixaram de viajar para o exterior.

No Museu do Descobrimento... estamos na sombra...

Casa de Alan. Um arco-íris de brinde...
Enfim, tudo maravilhoso. Recomendo o Festival nos próximos anos para quem quer curtir uma boa música, ou jogar golfe (será???) e curtir as praias da região. 

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Autoajuda

Adolescente, quando fui estudar em São Paulo, todos de minha idade liam Hermann Hesse, principalmente Sidarta. Às vezes, passávamos horas discutindo as mais diversas interpretações deste “sábio” descontente com os ensinamentos brâmane.
Naquela época também tínhamos um “uniforme” próprio: a camisa vermelha da Lacoste, a calça jeans, Lee ou Levis, o sapato mocassim e a meia vermelha, preferencialmente.

Mais tarde, a leitura de Dale Carnegie, num estilo bem americano, para ensinar a arte dos relacionamentos, principalmente no aspecto profissional; no campo filosófico, entra Kundera com a insustentável leveza do ser.

Daí em diante, começa a chover livros de autoajuda com muitos gurus, cada um mais “sabido” que o outro, prometendo felicidade e lote no céu. Creio que o guru mais guru desta onda é Paulo Coelho, que deve estar até hoje na crista da onda.
Depois de me aventurar por Sidarta e Demian, mais tarde o Alquimista, Brida e algumas páginas de As Valkírias, desisti de andar por esta área. No dia a dia, O Pequeno Príncipe é mais que suficiente para dar um empurrãozinho e levantar o ânimo, no aperto, pode-se sempre recorrer a Jesus, Buda ou Lao-Tsé.

Todos nós temos nossas frases de impacto retiradas dos livros de autoajuda (por exemplo, você é responsável por aquilo que cativa), mas acredito que o que funciona mesmo são as coisas da vida e, em especial, os ensinamentos da família.
Quando Mariana tinha algo como seis anos, ela estava fazendo o dever de casa e falou: mãe, “antigamente” eu não sabia como escrever esta palavra. Eu quase desmaiei: se minha filha de seis anos tem antigamente, o que eu tenho. Aprendi Nana, o tempo é mesmo relativo, todos nós temos nosso passado, presente e futuro, não importa a idade (o meu antigamente pode até ser maior do que o atual ou o esperado, mas felizmente tenho todas as opções).

Um dia, cometei com minha mãe como era grande o rosto da fotografia de Lula no seu crachá da empresa. Minha mãe então me disse que Lula nasceu com seis quilos e sua cabeça era enorme e refletiu: ainda bem que eu era ignorante nesta época, se fosse mais esclarecida, teria perseguido os médicos para tratar a hidrocefalia de Lula. Há algum tempo, certifiquei-me que sou disléxica, por isso nunca aprendi onde está a esquerda nem a direita, nem onde é em cima ou embaixo, se não usar as referências que eu mesma criei. Os números, então, misturam-se mais que as cartas do baralho de tio Fernando. Se tivesse consciência disso antes, nunca teria cursado engenharia, nem feito outras coisas na vida. Ponto para a ignorância. Aliás, Buda e Lao-Tsé recomendam que aceitem que anjos podem ter sexos, mas, e dai? Se o sexo dos anjos não faz diferença na sua vida, aceite e esqueça.
Estávamos em São Paulo com um ilustre hospede: tio Edinho. Um dia, sentados na mesa, conversando, acompanhado com uma lata de goiabada. Cada um tirava uma lasquinha, menos Edinho. Aí ele nos contou que, quando criança, em Três Morros, uma lata de goiabada era um quitute especial, com as partes finamente divididas ente todos os irmãos. Guloso como ele só, prometeu comprar um montão de goiabada e comer sozinho logo que ganhasse seu primeiro dinheiro. E assim fez... Não conseguiu passar da metade da primeira lata. Moral da estória: não tente trazer para outra época o que foi importante em uma determinada. Guarde e curta a lembrança dos fatos passados e evite a decepção tentando repetir a emoção. Busque outras apropriadas à situação atual.

E, finalmente, a despeito de todos os gurus, aprendi como tirar partido das situações com Nicácia. Morávamos em Dias D’Ávila e Nicácia prometeu me ensinar como fazer um cozido. Nunca foi tão fácil aprender. Na hora de servir o dito cujo, fui preparar o pirão, que embolou. Botei a mão na cabeça e desesperada perguntei: e agora vó, o que faço? Ela respondeu: “se preocupe não minha filha. Leve o pirão para mesa e diga logo: gente, eu adoro pirão embolado e quase nunca consigo fazer. Hoje ele ficou no ponto certo.
Grande Nicácia e outros mestres de família, não tem Paulo Coelho que lhe os superem.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

A vida venturosa de Matilda

Ouvindo a vida de tia Matilda, efêmera, ouvindo, ouvindo pelo telefone, e ela falando sem parar para respirar, de um só fôlego, passageira, é como se eu estivesse diante de um enigma e de um espelho. Estou me vendo fora do corpo. E penso que é justo o que não devo nunca ser.



Quando ouço como quem aprende, percebo que são desejos e mais desejos e ações devastadoras, impulsivas e impossíveis, como vários tratores pesados em movimento. Com tetos desabando, terras caindo, árvores arrancadas, caçambas de pedras, asfalto quente, fumegante. Com direito a um barulho peculiar. É uma fúria da natureza.

A época que Matilda passou melhor foi quando esteve na solidão de sua casa e não dava notícias. Passava o tempo fazendo coisinhas simples e rotineiras e repetitivas. Como limpar a casa diversas vezes, lavar a roupa, fazer a comida. Tudo pouco, tudo simples, sem grandes nem loucos artefatos, nem parafernálias, coisas tão comuns em sua vida acelerada em Iguaí. Sem as duas cozinhas que fez realizar em sua casa no interior da Bahia. Funcionava assim: uma cozinha para visitação, bem decorada como numa foto de revista, e a outra para usar, com três fogões: um de ferro, bonito, pintado de azul, esmaltado, um de tijolo com forno e um a gás, moderno. Salivava com os fogões.

Também nessa época, ela estava sem as imensas assadeiras de pizza, receita italiana de Nasa, sem as diversas e variadas formas para bolos. Bolo xadrez para o café da manhã, colorido, bolo Zizinha, bolo inglês para o lanche da tarde, bolo formigueiro, bolo de coração, de estrela, cacho de uva e mais: sequilhos, avoadores, biscoitos de nata, bem-casados, biscoito engorda marido, variados. As latas grandes de 20 kg que vinham com as balas Confiança eram cheias até a boca com essas  iguarias.

Ela tinha os dias certos na semana reservados para esse ofício: fazer biscoito, modelar a massa, assar no forno quente, brando, banho–maria e as fazendeiras ajudantes sub judice ao seu comando. E saiam de suas mãos treinadas: estrelinhas, luas, casadinhos, coco com nata, salgadinhos, cebolinhas. Todos eram distribuídos com a vizinhança, inclusive com os parentes do ex-namorado que eram estimados.
Existia na sala de jantar, um móvel buffet muito bonito, com uma fileira de doces de compota com as receitas vindas, através da família do marido, de Rio de Contas e Mucugê. Verdadeiras especiarias.

Nesta época de minha visita já não existiam mais os cincos vestidos de crochê que encomendou de uma só vez, para a filha, porque não conseguiu se decidir qual a cor mais bonita.

Mais vale relembrar dos inúmeros conjuntos de argolas, brincos, correntes , medalhinhas .Tudo de ouro maciço, 18 quilates, que comprava sistematicamente do ourives Sr.José do Ouro, famoso na região, viajante, com sua maleta de couro marrom bem cuidada, lustrada e que tinha pouso certo na casa de Matilda. Ele tinha uma cara ótima, educadíssimo, sujeito jeitoso e então ela comprava todas as novidades, não para ela, mas para presentear as primas, as filhas das primas, as sobrinhas, as amigas de Iguaí, as parentas Benjamin, as descendentes Andrades, as filhas dos médicos de Vitória da Conquista. Todos eram devidamente contemplados.

Mas o mais criativo dela eram seus vestidos com bolsos, muitos bolsos, aparentes e embutidos, e os sapatos mais folgados que os pés para serem entupidos de dinheiro escondido que roubava de si mesma, de sua loja, sorrateira, vitoriosa, com ares de quem estava fazendo uma grande coisa! Afinal era preciso transgredir.

Outro detalhe importante: Matilda era uma romântica apaixonada, incorrigível, por um amor simbólico que se perdeu pelos caminhos, irrealizável. Enquanto arrumava a casa com sofreguidão ou dirigia o carro pela cidade sem rumo certo ou pelas estradas do interior, soltava a voz cantando Cauby Peixoto...o amor é uma pérola... Negue o seu amor... Saudade palavra triste... Risque o meu nome... Perfídia e todo Roberto Carlos.

Sua liberdade não tinha preço. Não há registro de que tenha obedecido a alguém uma única vez. Nutria um amor especial pelos homossexuais para espanto dos desavisados. Acolheu-os em sua casa mesmo causando escândalo para muitos da família.
Numa fase da vida, levemente depressiva, estava dócil e meiga. Confortável. Foi a única vez que a alcancei de verdade. Mansa, sem o frêmito de asas se debatendo, sem as dissonantes cornetas desafinadas, sem o espocar de bombas que sempre acompanharam sua lendária, aureolada e sufocante presença.
Os mais velhos a adjetivavam com ironias. Diziam que era extravagante, descontrolada e gastadeira. Gastava tudo que chegava às suas mãos. Mas os mais jovens a amavam. Amavam nela tanta juventude, descontração, dinamismo e sobretudo a alegria.

Doou tudo o que teve. Tinha uma necessidade enorme de ajudar a todos. Uma verdadeira obsessão que foi hegemônica em sua vida. Através de encontros e mais encontros, portas abertas, conferências e acordos. E lá vão comidas e mais comidas, roupas, dinheiro, tempo, preocupação.
Em casa, como era uma excelente dona–de-casa e por incrível que pareça mãe dedicada, uma mãe vaca brava, aconteciam verdadeiras operações de guerra. Três horas da manhã, tudo escuro, todos dormem e ela se levantando apressada, lavando e esfregando a cozinha, a louça, fazendo café, sem deixar uma única gota d`água cair no chão, preparando os sanduíches, suando, vermelha e gorda. Correndo, correndo, animada, porque às 5 horas teria que estar na rodoviária para buscar uma das  inúmeras primas que mora no interior para fazer  exame. E haja exames, especialistas, levar e buscar, levar de novo. Sempre. Quantas vezes fosse necessário. Todas as vezes, incansável, por anos a fio. Nunca vi buscar e embarcar mais gente na rodoviária.


         

Era uma exímia motorista e numa época que as mulheres viviam dentro de casa, ela amava a rua. E declarava isso. Dizia que adorava correr trecho. Se oferecia para dar carona a qualquer um: quanto mais longe melhor. Alegre e divertida.
O trabalho da casa era árduo, casa sempre cheia, guerra é guerra, o inimigo é invisível. Não importa, mas tem que lutar, enxaguar a roupa em 5 águas, 3 sabões, passar 7 vezes o pano na casa de cada vez, 3 vezes ao dia.
Esfregava tanto os banheiros que desfazia os rejuntamentos e estavam sempre precisando de reparos.  Quando qualquer um saía do banheiro, ela entrava com água sanitária, pano e desinfetante. A luta é árdua e contínua. A vida não para. Tem micróbios e bactérias por toda parte.

Quando qualquer visitante, com sapatos limpos, a qualquer hora do dia ou da noite, se despedia para ir embora, começava a operação limpeza. E dizia, sorrindo e bem- humorada: esse cara vai deixar sujeira em minha casa.
  
Na hora de passar e guardar, as roupas, as toalhas e lençóis, só poderiam ter um determinado número de dobraduras. Organizadas por cores. As camisas engomadas, sem uma dobra, abotoadas, lineares. Toda semana arrumação geral, generalíssima. Fazia gosto contemplar os guarda-roupas de Matilda, verdadeiras obras de arte.


E os copos?
Num único sentido. Brilhantes, translúcidos.


Tomava no mínimo 3 banhos por dia e trocava de calcinha diversas vezes. Trabalhou tanto com produtos de limpeza, produtos fortes como Qboa, cloro ativo, varsol, que perdeu o olfato.
O mais importante de tudo é que teve uma vida abundante. Deixou rastros, passos firmes e determinados e alegria contagiante. Era estupenda.
  
Claro que você  precisava de uma proteção especial para conviver com ela, de preferência uma armadura de ferro estilo medieval dos pés a cabeça e se possível blindada.

Matilda ajudou tanto a tantos que nem se lembram dela. No final da vida sozinha, meio dilacerada, já não podia fazer nada.

Penso que tanta ajuda foi uma ironia, era um pedido de  SOCORRO.

 Ana Tereza Sousa Matos

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A autora pede para esclarecer que este texto faz parte de um projeto maior; um livro infanto juvenil que está a escrever.