sábado, julho 04, 2015


Gorjetas, tips, propinas e outros agrados pelo mundo!!!!!
 
Detesto gorjetas. Como nunca estive em situação de receber gorjeta, então me corrijo, detesto dar gorjetas, não pelo fato de “dar” dinheiro, mas pela sensação incômoda que sempre me acorre nesta situação: “a toda poderosa a ajudar um pobre coitado”. Urf!

Há muito tempo, no Brasil, dava-se gorjeta a funcionários de prestação de serviço de muitos estabelecimentos, como os dos postos de gasolina, entre outros. Com o pagamento das despesas com cartões de crédito ou de débito, este tipo de gorjeta quase não existe mais, ficando praticamente os restaurantes com os 10% incluídos na conta.

Nas viagens de Cruzeiro, é feito um débito adicional de um valor fixo à sua conta a título de gorjeta (ou gratuidade, como eles preferem mencionar), cuja arrecadação é repassada a todos os funcionários do navio.

Na Europa, em geral, não existe uma porcentagem estipulada para gorjeta (percebi que os 10% brasileiro é muito alto no padrão europeu), mas é usual deixar uns trocados na mesa (geralmente moedas). O mais incomoda a alguns brasileiros em viagem na Europa, é que, na maioria dos países, quando se senta na esplanada (no lado de fora do bar ou restaurante), a despesa é paga ao garçom imediatamente quando ele lhe serve (a gorjeta se deixa na mesa quando se sai); os brasileiros consideram isto uma afronta à sua honestidade (sic).

Nos Estados Unidos, a situação é bem diferente. Dizem que a gorjeta é uma forma de avaliar o serviço e as porcentagens são altas, variam entre 15% e 25%. Aí sim, me incomoda dar um quarto ou um quinto do valor da despesa para uma pessoa que me trás um prato com comida na mesa, um motorista ou uma cabelereira, todos fazendo o serviço para o qual foi contratado. Mesmo tentando entender e seguir o costume social do país, considero a prática americana como fora da normalidade.

Nos países asiáticos que visitei – Japão e Coreia do Sul, não é usual dar gorjetas. Não vi ninguém deixando moedas na mesa de restaurante. No Japão, quando a comida é servida, a conta já é colocada discretamente na mesa, geralmente na lateral, num lugar já preparado para isto. Na Coreia do Sul, eles são menos discretos e colocam a conta sobre a mesa mesmo, na hora que servem a comida. Como tanto no Japão como na Coreia do Sul não se tem o hábito da sobremesa e do cafezinho após o almoço; os pratos só são retirados da mesa quando o cliente se levanta. O pagamento é feito diretamente no caixa, na saída, sem agrados.

A porcentagem adicional incluída na conta não me incomoda tanto, justamente por se tratar de um costume social instituído, e que não me passa a desagradável sensação da “toda poderosa”. Já a prática americana considero terrível, ainda mais porque ela envolve o consumidor como avaliador do serviço, dando-lhe um papel que nem sempre lhe interessa.
 
E agora, veja a situação que me encontro: ao invés de “toda poderosa” me sinto a “coitada explorada”.

4 comentários:

Bel B disse...

Li sobre este assunto quando fui a Nova York pela primeira vez. A autora dizia que brasileiros não gostam de dar gorjetas e por isto mesmo taxistas não gostam de pegar clientes brasileiros. Mas que isto era regra lá. Quando fomos a NY, eu, Bete e Eleusa tivemos problemas com o motorista que nos levou ao hotel... e na volta para evitar confusão resolvemos pagar logo a gorjeta e demos 5 dólares, o motorista ficou indignado, era pouco.
Agora os táxis que pegamos em Miami, tratamos logo de aderir a regra local e pagar os 15% sempre... "em Roma sejamos romanos"!

Anete disse...

Ontem fomos almoçar em um restaurante da Gávea, o garçom era muito simpático. Quando trouxe a conta já com 10% ainda brincou querendo arredondar a conta para cima. Mas não colou. Realmente não gosto de dar gorjetas também. Imagine a conta deu 250, 25 dos 10% e teria que dá mais 25 para arredondar para 300, 50 reais de gorjeta depois de esperar 30 minutos para conseguir entrar no restaurante, sentar em uma mesa apertada e que só depois que foi feita a limpeza, um só garçom servindo muitas mesas.... Além do mais, fico chateada pois acham que dinheiro dá em árvores, isso é, o dinheiro dos outros. Mas acho que o que está acontecendo é que como no Brasil estavam ganhando fácil, todo mundo começou a gastar mais, mas a realidade agora é diferente. Tipo "Agora temos que apertar o cinto". A crise chegou forte.

Alvaro Risso disse...

Célia, vou brincar com vc: tirar dinheiro de Martins não é fácil... rs.
Agora no sério, eu tb acho o valor da gorjeta nos States muito alta. Assim como o "discurso" é de avaliação do serviço, eu considero que funciona também como um suborno. Se o atendente já lhe conhece por suas gorjetas, com certeza o tratamento para vc será diferenciado, isto é, funcionou o suborno, pois o trabalho dele para os demais não é igual ao que ele lhe presta. Podemos até colocar como os americanos o consideram: Meritocracia. kkk

Celia disse...

Um conhecido brasileiro nos contou que foi a um restaurante nos Estados Unidos e deu os já "aceitados" 10% brasileiros como gorjeta. O gerente veio perguntar o por quê da baixa "qualificação"