sábado, julho 21, 2012

Analise moderna da Estoria da Bomba

Nos temos uma estoria antiga de uma bomba de 1961-1962. Para os mais novos vou relatar o ocorrido primeiro. Depois vou apresentar a analise antiga e a versao moderna "by Jaca"

OCORRIDO

Um dia estavamos brincando na minha casa eu, Fernando, Zeze e Chico. Resolvemos brincar de bomba, mas como nao era epoca de Sao Joao faltou municao. Comecamos desenvolvendo maneiras de explodir cabeca de palito de fosforo com prego na madeira e outros desenvolvimentos que nao me recordo.

Como sobrava tempo e faltava juizo, resolvemos aumentar o projeto. Recolhemos algum dinheiro que tinhamos e Fernando comprou um cartucho de polvora na Cifer, loja de ferragens. Notem que Fernando trabalhava na Imperial (outra loja de ferragens) com Inocencio, por isso pode adquirir polvora aos 12 anos de idade.

Voltamos ao quintal onde discutimos e votamos que tipo de bomba fazer. Foi eleita a opcao de enterrar o cartucho e fazer um rastilho de polvora tal como em filme de cowboy. A ideia era otima, mas a execucao pessima. Tambem faltavam recursos, nesta altura so tinhamos 2 palitos de fosforo. Quando o primeiro fosforo nao acendeu o rastilho (Faltou John Wayne para dar certo!!!) Fernando acendeu o segundo e jogou no cartucho. O cartucho "acendeu" errado, nao houve explosao, so uma lingua de fogo em cima de Fernando. Uma verdade triste e que a torcida ( os 3 sem fogo) so sabiam embolar no chao rindo.

Fernando correu para o banheiro e entrou no chuveiro. Como doia muito apos o chuveiro, consultou o expert Lula, que recomendou talco! Nao sei se talco ja tinha sido testado antes mas agora sabemos que piora muito. Neste ponto Fernando teve que sair do banheiro e abrir o jogo com os adultos. Com a chegada dos adultos passamos para a fase 2, analise antiga.

ANALISE ANTIGA

Neste ponto se deu um pouco de atencao a cuidar de Fernando com queimaduras de segundo grau ??, mas o grosso era a inquisicao, a procura dos culpados e crucificacao. Eu fugi e passei 2 a 3 horas andando, mas nao adiantou nada a inquisicao estava em plena forma no meu retorno. Resultados da inquisicao.

1 - Fernando era o mais velho, mas como tinha se queimado sua culpa era limitada.

2 - Zeze e Chico tinham uma mae brava que nao ia aceitar desaforos, por isso foram exonerados.

3 - Eu levei uma boa carga na verdade por que era quem soubrou, mas a desculpa era que eu era inteligente devia saber que estava errado.

4 - Fernando chegou a conclusao sabia que ainda bem que foi ele que se queimou, se fosse um dos 3 filhinhos de papai a inquisicao ia ficar mais preta ainda.

ANALISE MODERNA

Eu com a experiencia de 61 anos, tendo criado 2 filhos ("Voce nao e pai..." nao cola mais), cheguei a uma conclusao diferente. Quatro meninos de 10 a 12 anos largados em um quintal por horas sem nemhuma supervisao, no seculo 21 dava ate servico social, talvez policia. Portanto a crucificacao de Fernando, Lula e outros e desculpa furada. Faltou pai e mae, num total de 8 que nao tinham nem ideia do que os filhos estavam fazendo por varias horas.

Na verdade eu gostava e aproveitei da liberdade que tinha como menino, porem nao e suficiente para aceitar a culpa da "Estoria da Bomba" e outros incidentes.

18 comentários:

Anete disse...

Adorei Lulao, me lembrei tambem que Robinho passou por situacao parecida, o tiro saiu pela culatra. Realmente naquele tempo podia criar a prole livre, nao tinha a violencia de hoje. E estas traquinagens fazem parte da vida.

Bel B disse...

Vi um filme dinamarquês: Em um mundo melhor (Haevnen), ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2011, que me fez lembrar esta história da bomba. São dois meninos que resolvem fazer uma bomba, mas a intenção é explodir um carro de alguém que eles não gostam, diferente de vocês que só queriam ser cowboys....
Concordo com Anete, naquela época tínhamos mais liberdade...

Celia disse...

Sempre fico confusa com as questões de responsabilidades das crianças e dos adultos nas distintas épocas. Anos atrás, não se colocavam telas nas janelas, mas era difícil alguém morar além do segundo pavimento; não se tinha protetor nas tomadas, mas nenhuma criança enfiava o dedo nela e, se acontecia, tomava choque, aprendia, e não fazia novamente (Nara, hem?). Eram as crianças mais livres ou eram “largadas” pelos pais em outras épocas? Não acredito. Lembro que íamos para a escola (ops! professor Moura) andando sozinhas (Isabel? Bete?), sem a necessidade da tutela dos adultos, condição que não foi totalmente possível às minhas filhas (Nara e Mariana), quando estudavam o ensino médio, e praticamente impossível nos dias de hoje. No entanto, o encanto das descobertas na infância, a força da rebeldia na adolescência e a bandeirada da responsabilidade na juventude são as mesmas, apesar da roupagem diferente. Que viva a vida!

Luladasequacao disse...

Respondendo aos 3 comentarios,eu achei a liberdade de minha infancia melhor, o problema e que nao se aceitava que errar e humano ainda mais de criancas. Sempre havia a inquisicao para definir os culpados e garantir que todos nos cresciamos com sentimento de culpa de sobra.

Luladasequacao disse...

Acrescentando ao comentario de Celia, tomar choque na tomada e aprender e otimo, tudo na vida e assim. O problema que eu me refiro e que alem da dor do choque tinha a conversa infinita colocando a culpa em voce, alem da dor do choque tinha a culpa.

Bel B disse...

Ontem, estávamos aqui conversando sobre as nossas peripécias da infância e nos lembramos que Célia cortou a mão e teve mais de 20 pontos. Eu me queimei nas costas, com água fervente. Irlan, andando na garupa da bicicleta de Eleusa, enfiou o pé na roda que quase estraçalha. Eu vivia com os joelhos ralados de quedas e era comum vermos crianças com braço ou perna quebrada. Hoje em dia quando uma criança tem um arranhãozinho é um Deus nos Acuda... rsrs

Bel B disse...

Agora sobre a inquisição, como diz Lula. Geralmente quando eu caía e me machucava ou quando derrubava alguma coisa (sempre fui considerada lerda) tomava uma bronca homérica da minha mãe. Com o tempo, passei a não dizer e se possível esconder os machucados.
Quanto as peripécias de adolescente a bronca era dupla de Noemi e de Amélia, mas nunca me senti culpada... Igual a pecado, ia para igreja ouvia um bocado de baboseiras, mas nunca me considerei pecadora, graças a Deus!..

Selene disse...

O problema eh exatamente esse Bel, por que tinha que ter uma culpado do que aconteceu? Menino nao tem jeito, faz merda o tempo todo. Na minha casa tambem tinha bronca porque fez, mas nunca tinha um culpado. Quando eu era pequena, fomos pra pria um dia e houve guerra de bola de areia. Nao deu outra, eu era a menor a acabei com uma bola na cara e os olhos cheios de areaia. Nao deu outra: leva a criatura pra casa chorando. Eu nao me lembro disso, me foi contado pelos meus irmaos. Minha mae primeir foi lavar meu rosto para tirar a areia e depois colocou todo mundo de castigo, sem descriminacao. La em casa nao tinha isso de quem foi o culpado nao. Todo mundo involvido pagava o pato.

Luladasequacao disse...

Bel, seu comentario e otimo explicando que voce aprende a deixar pra la as broncas e conviver com isto. Entao o problema e meu, eu sempre quero levar tudo ate o fim e nao consigo conviver com a culpa.

Por um lado voce e melhor que eu pois consegue ser mais flexivel. Mas o outro lado e que voce aprende a aceitar erros, desmandos e PT(segundo alguns)

Fernando disse...

Voltando a bomba, realmente você era o mais inteligente mas a memória me pertence... antes da bomba fizemos vários laboratórios - raspas de fósforo no pé do banco, no buraco do prego e inseria o prego com porrada de martelo, pólvora na meia de Arlindo com seixos para jogar na parede para finalmente chegar a construção da bomba. Mesmo sabendo que viriam as inquisições, tínhamos garra, criatividade, conhecimento e competência. Logo após o sinistro, surgiu o Plano de Defesa. Zezé e Chico se escondem. Duda se faz de morto. Lula deserda. E Fernando desvia a atenção da galera e assume a total responsabilidade. Afinal eu era o mais velho e mais lenhado...

Fernando disse...

... Veja a grande estratégia, 4 jovens assumiram suas responsabilidades e continuaram a vida e hoje discutimos as opiniões de ontem, hoje e amanhã. Difícil seria 4 jovens da atualidade fazer o que fizemos, mas se o fizesse, hoje é que realmqnte teria culpas, acusações, processos entre famílias para proteger fi-filhos.
Com a queimadura, eu paguei minha penitencia e não fiquei com nenhuma culpa. Não existe culpa e sim aprendizado...

Fernando disse...

Selene, os Paschoal quando crianças tinham a estratégia tão sofisticada que os pais não conseguiam encontrar o culpado, logo o castigo era geral, mas também está correto, os justos pagam pelos pecadores como aprendi na bíblia.
Vou incluir esta estratégia no meu curso.

Bel B disse...

Lula, você tem razão, eu relevo várias coisas, procuro a solução mais cômoda.. por exemplo, se me aborreço em uma loja, em vez de brigar, nunca mais volto lá e esqueço. É o jeito de cada um.

Existe uma fábula que diz que não se pode ser feliz e ter razão. A gente tem sempre que escolher um dos dois. Tento escolher ser feliz..

Igor disse...

O post da bomba Bombou. Lulão, manda mais estorias.

Anônimo disse...

O projeto inicial não era fazer uma bomba, mas levar pelos ares uma lata reciclada de leite Ninho. Era uma época que as embalagens tinham nome e eram recicladas individualmente, inclusive tinham destino especifico. Os pedintes usavam ou uma lata de goiabada ou uma metade da embalagem de um queijo cuia para esmolar. As latas de óleo de um litro para ralos (por Cecília Martins), candeeiros e outros utensílios leves, já a lata de vinte litros fornecia a matéria prima dos bules, chaculateiras e outros.
O procedimento era simples, um segurava uma lata no solo com um dos lados levantado enquanto outro acendia e lançava o artefato aceso através da abertura. O individuo que segurava a lata, posicionava a mesma rente ao solo, então os dois em sincronia se evadiam do local. Quando a bomba explodia a lata era lançada aos ares. Mas, iniciou-se um processo dialético, que é o método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos (Wikipédia). A tradução literal de dialética significa "caminho entre as idéias", e então vários considerandos foram estabelecidos. Por exemplo, a altura máxima que alcançaria uma lata de leite Ninho, e a relação desta altura alcançada no vôo versus a potencia da bomba, medida em gramas de pólvora. E em seguida, se houvesse uma pedra em cima da lata de leite Ninho quais seriam estas novas relações entre a altura alcançada, o peso da pedra e a quantidade de pólvora. Portanto, um simples experimento multivariado de física e química.
Este foi o plano teórico estabelecido para à tarde e partiu-se para a execução experimental. Mas dialética imperava. Seria o método adequado para alçar um individuo as alturas, como os homens foguetes do circo? Serviria para subir em casas quando se fosse reparar um telhado ou para subir em arvores. Era o fim das escadas moveis.
Tem mais.. Duda

Anônimo disse...

O caso da bomba....

E finalmente chegou-se ao experimento que viria esclarecer toda a questão. Eliminar de forma eficiente uma pequena arvore, já morta e que não produzia frutos, que tínhamos no quintal. Desta forma, teríamos uma bela explosão com ascensão de um peso razoável e uma boa quantidade de pólvora. O problema foi construir a câmara de combustão/explosão, que se transformou em um cavucado entre as raízes e abaixo do centro do tronco. Ou seja, criamos o lança chamas de excelente qualidade.
A continuidade dos fatos foi como relatado no post original. Inclusive com a aplicação de talco em queimadura que futuramente resultou na técnica de aplicação de desodorante em assadura (Acho que Fernando pode se lembrar do assunto). Mas, esta descrição detalhada confirma a minha presença no evento, embora sem participação na confecção dos artefatos. Tanto que me fiz de morto e passei desapercebido.
Muito tempo depois, um tal de Steven Spielberg roubou as nossas idéias e fez o maior sucesso - criando efeitos especiais para o cinema. Portanto, vale a premissa “não existe verdade, existe versão”.
Duda

Bel B disse...

kkkkkkkk....Duda. Bem lembrada a história do desodorante, agora entendi, foi a vingança!

Luladasequacao disse...

Os comnetarios de Duda estao excelentes. Em primeiro lugar ele trouxe um monte de detalhes que eu passei por cima, obrigado.

Lula

Em segundo lugar tem a parte filosofica. 5 meninos de 10 a 12 anos no interior da Bahia usando dialetica!!! Eu estava lendo Marx naquela epoca mas ainda nao entendia muito bem. Portanto a dialetica vinha da criatividade humana, existem varios casos de invencoes em paralelo. Portanto estavamos re-inventando a dialetica, na semana seguinte sairia comunismo se nao fosse a Inquisicao!!! No mes seguinte bomba atomica com certeza, tanto talento tolhido cedo!!

Rolando Lero (Pseudonimo)