sexta-feira, outubro 23, 2015

Um ensaio para a morte

Transformação física. Me torno um monstro? Mudo de aparência? Não, apenas estou morrendo, a cada dia, a cada segundo sigo me transformando em um cadaver.
A transformação se deu durante esses 70 anos, lapso de tempo para o silício, eternidade para a borboleta.

Transformação teratológica. Começou por me doer algo, a urina se tornou verde, meu apetite se alterou. Minha imagem no espelho desaparece. Meu duplo que não está no espelho, me toca a mão. Quem morre? Eu ou ele?

Quem está vivo possui suas possibilidades, não as possuo mais. Não possuo mais possibilidades, possuo apenas uma. E uma possibilidade, deixa de ser possibilidade, passa a ser certeza, e daí passa a ser realidade. A realidade é uma única certeza, pensada ou vivida.

A morte é transformação que não conhecemos o resultado. Equação sem um dos lados. A equação da continuidade sem o zero.

A morte poliglota se aproxima [ poliglota também é o nascimento]. Escutem, me enterrem sem caixão, assim as árvores me levarão para as suas copas e vou tomar sol novamente, lá do alto.

A vida me matou.

10 comentários:

art disse...

O post é meu.

Igor Matos disse...

Agora sim. Já estava preocupado com Pat.

Bel B disse...

kkk... estava lendo e pensando: o que houve com Pat?

art disse...

pelo jeito sou um caso perdido

Cristiano Barreto disse...

Eu não tinha perguntado, mas sabia que não era Pat, mulher falando de morte não existe, mulher fala de permanecia, da sua problematica, pelo menos ainda neste resto de era. Excelente texto, faz-nos refletir verdadeiramente sobre as coisas. Dada a inexpugnabilidade da morte a vida seria o caso perdido, e é isso que temos para salvar o outro, uma navalha cega que quando amolada fica sem cabo.

Cristiano Barreto disse...

Confesso que Pat me deixou um rastro de dúvida..rs

Anete disse...

Deo, quem é o autor do texto?

Anete disse...

Fiquei na dúvida parece do Duplo de Dostoievski ou do a Cemitério de Umberto Eco . Ou de nenhum dos dois

art disse...

O texto é meu. Michel Schneider me inspirou a escrever sobre a morte.

Anete disse...

Muito bom