quinta-feira, março 05, 2015

Crise

Não existe uma pior crise. A crise é como uma dor e a pior dor é aquela do momento”

Só se fala em crise... hídrica, eletricidade, Petrobras, etc. Atualmente vejo 3 jornais a noite: Band com Boechat,  o tradicional JN e em seguida o Globo News em Pauta que gravo. Este último é muito bom porque as notícias são comentadas por jornalistas.  Tem ainda Revista Veja e Internet. Sem falar no besteirol do facebook que não podemos confiar...
Com tanta notícia, sem querer a crise toma conta de nós. Vem a preocupação, a agonia, a desesperança ...   Agora já estou atolada até o pescoço nesta crise, então li um texto que um ex-colega colocou no face:

Não deixe o vírus da crise se instalar na sua cabeça. (Anibal Viegas)

Pensei. É isto aí!... Já passamos por tantas, governo militar, hiperinflação, impeachment de Collor, mensalão.. Agora não é uma marolinha, mas é só mais uma MAROLA...

E ainda tem as crises pessoais. Lembro-me na época que trabalhava no Banco Econômico e este foi interditado. Passamos vários meses sem saber o que aconteceria. Situação difícil. Um dia o pessoal do RH resolveu promover umas palestras internas para amenizar o clima. E tivemos uma ótima palestra sobre Crise em que abordava todas as fases:

A primeira fase é a da negação e de isolamento. A pessoa pensa: "Não é possível que isto tenha acontecido comigo".  Na segunda fase a pessoa fica com raiva. No caso de uma doença, com raiva de Deus; na perda de um emprego: raiva do patrão e na perda de um relacionamento: raiva do parceiro.  A terceira fase é a da barganha: fazer promessas para se curar, ver o que pode extrair da empresa, com a demissão, ou ver o que pode ser resgatado no namoro.     A quarta fase é a da depressão, o fundo do poço.   E a quinta fase é a da aceitação, a porta de saída da crise. É deixar o velho morrer e ingressar, de braços abertos, no novo. 

O palestrante recitava uma poesia para cada fase da crise. A primeira fase foi o Soneto da Separação de Vinicius. “De repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco feito a bruma...”. 
E teve poesia de Fernando Pessoa, de Manuel Bandeira, de Cecília Meireles.
No final da palestra ele disse o seguinte, se chegar um momento na crise que você se sinta desesperado e não tenha nada a fazer: Reze!... Mesmo que você não tenha fé. Rezar relaxa o corpo e a mente e com certeza você se sentirá melhor.

Inesquecível esta palestra.

2 comentários:

Alvaro disse...

Bel, lendo o seu post, lembrei-me de já ter visto essa sequência e fui ao "sábio" Google para conferir. Aí achei:

"Fases que Precedem a morte A reação psíquica determinada pela experiência com a morte, vivida pelo indivíduo ou familiares, foi descrita por Elisabeth Kubler-Ross como tendo cinco estágios sequênciais:
1. Negação
2. Raiva
3. Barganha
4. Depressão
5. Aceitação"

Pelo jeito, a visão da crise equivale à da morte e que não deixa de ser a "morte" de uma situação anterior.

CB disse...

Vamos imaginar o seguinte, toda crise nasce como uma doença, correto? Algo deu errado. Imagine que uma doença não nasce de uma hora para outra, tipo uma possessão espiritual que baixa ao ser chamado, uma doença nasce de um conjunto de comportamentos doentios que são praticados quando estamos sãos.

A crise é nada mais nada menos que o ápice da pseudo-saúde, pois se levássemos uma vida completamente saudável não haveria crise, haveria a eternidade daquilo que nos faz bem, afinal vivemos (deveríamos) viver pensando no bem.

Mas estamos enganados, não sobre a crise, mas sobre a não-crise. É no estado saudável do nosso dia a dia que investimos na doença, investimos de forma invisível aos olhos, por isso a negação como primeira resposta, ninguém assume estar criando o mal, todos querem se assumir como detentores do bem, detentores da salvação. A crise é a resposta ao herói àquele que nos mostra o caminho, por isso que a saída da Cecília foi a reza, Papa Francisco falou a poucos dias, “ se nada puder fazer... suporte”.

Tudo nasce na quinta fase...: “é deixar o velho morrer e ingressar de braços aberto, no novo”... veneno.