quinta-feira, julho 11, 2013

Emilia, minha cara sobrinha,

Fiquei feliz por você se chamar Emilia. Eu convivi muito tempo com a minha avó Emilia. Ela era uma pessoa doce, meiga, educada, falava pouco, lia muito. Fui alfabetizada por minha avó Emilia de quem adquiri o gosto pela leitura.
Estou lhe enviando uma carta de vovó Emilia, sempre nos correspondíamos, pra quando você souber ler apreciar esta carta da minha avó e sua bisavó.
Quando fui para casa  da vovó Emília, lá moravam Eunice, José (Zecão) e Abelardo. Eles haviam perdido a mãe, tia Isaura. Nicinha lavava e passava a roupa e ajudava vovó nos afazeres domésticos. José e Abelardo ajudavam os tios Nestor e Mauro no plantio da cana, da mandioca e no engenho.
Nas férias chegavam Nilzete, Nilton e Miguel, filhos de tia Amélia. Nilzete vinha montada no seu cavalinho (e eu desejava ter um, também). Vinham também os filhos de tio Artur e tia Antônia, e a festa estava completa.
Nós colhíamos frutas: goiaba, jaca e cajus. Com a cana se fazia garapa, mel, cocada-puxa e açúcar preto. Os meus tios vendiam o açúcar em Rio Fundo, hoje Muniz Ferreira. Quando as férias acabavam, tudo ficava mais solitário.
Uma vez por semana íamos a casa de tia Dau (Lindaura), subíamos a ladeira em frente a casa, andávamos pelo tabuleiro e descíamos outra ladeira em frente a casa de tia Dau. O marido dela era Orestes e o apelido Yoyô. Eu achava o nome muito estranho, pois havia um mato chamado Tiyoyô. Devia ser por isto, nunca o chamei.

Tio Nestor resolveu se casar e construiu uma casa perto do Engenho, mudamos para la. A casa velha foi demolida e reconstruída. Tio Mauro e Nice casaram e foram morar lá.

Também foi construída  uma escola. Devido a seca, mamãe e os filhos foram morar na escola. Dodô, Nelson, Zeca e eu tivemos impaludismo, era engraçado pois ficávamos esperando a hora do treme-treme para ver quem tremia mais. Quando choveu em Três Morros voltamos para lá, inclusive eu, para estudar com a professora Violeta. Noelia nasceu nesta escola no Ronco, por isto ela é tão prendada e sabida.

Voltei várias vezes ao Ronco para ver vovó Emilia. A última vez, ela estava morando com tia Dau. Fomos eu, Norma e Antônio. Tinha muita lama e os cavalos não transitavam por lá. Logo depois ela faleceu. Ela foi uma ótima pessoa, sempre presente quando precisávamos, guardo uma boa lembrança de minha avó Emilia.

Tia Amelinha





2 comentários:

Fernando disse...

Amélia sempre presente.
Seus valores são infinito

Anilza Cristina disse...

Fiquei emocionada com a sensibilidade de Amelinha ao escrever uma carta a Emília, apenas um bebê, mas uma pessoinha que carrega o nome de uma pessoa importante na vida de quem a conheceu. Amelinha era especial e a amizade entre ela e minha mãe também era muito especial. Qualquer dia envio fotos de da viagem que elas fizeram ao Rio e Brasília.