sexta-feira, dezembro 09, 2011

Bravo!

Ópera não faz parte de nossa cultura, nem combina com nosso clima, então é difícil encontrar nesta terra do Axé quem goste deste tipo de música. Eu me interessei por música clássica, na década de 70, quando vi um filme sobre a vida de Tchaikovsky e outro sobre Strauss. Passei então a escutar, além destes, um pouco de Bethoven, Bach e especialmente Mozart.
No cinema, musicais como West Side Story, My Fair Lady, A Noviça Rebelde, entre outros, sempre me encantaram.
Quanto fui a Nova York, vi tantos musicais da Broadway quanto foi possível, o lindíssimo Fantasma da Ópera, Miss Saigon, A Bela e a Fera, etc.. Fiquei fascinada. Despertou-me então, o interesse em conhecer um pouco de ópera. Já tinha visto algumas cenas em filmes. Em Milk, por exemplo, tem uma cena da ópera Tosca, de Puccini.

Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Teatro Municipal do RJ

 
Uma Linda Mulher, comédia romântica que todo mundo viu, há um momento em que Edward (Richard Gere) convida Vivian (uma garota de programa vivida por Julia Roberts) para uma ópera, ela responde que não sabe italiano, não vai entender nada. Ele fala que não é preciso entender, basta se deixar levar pela música. Na cena no teatro, a ópera é La Traviata (Verdi) e Vivian aparece na platéia emocionadíssima. Amadeus é um filme que faz parte da minha lista dos “mais mais de todos os tempos”, mostra algumas cenas de óperas de Mozart.

Teatro Municipal de São Paulo

Teatro municipal de São Paulo
Mas como conhecer ópera? Escolhi uma para estudar: La Traviata por ter uma ária muito conhecida Libiamo ne' lieti calici ("Drinking song"). O primeiro passo foi conhecer a história lendo resumos e o próprio texto (libreto), depois comprei um dvd escolhido aleatoriamente. Vi a primeira vez, acompanhando a legenda, muito mais interessada na história que na música. Depois repeti várias vezes. Cada vez mais me empolgava, descobria novos detalhes e passagens que eu mais admirava. A história, já entendida, foi relegada a segundo plano e simplesmente me deixava envolver pela música e pela interpretação dos atores. Repeti o processo com Rigolleto, Carmem, Tosca e La Boheme.

Logo em seguida, iniciou-se a programação do Metropolitan Opera House em divulgar as óperas no cinema, passei a ser freqüentadora assídua. Vi então outras não muito populares. Confesso que as primeiras vezes que se escuta uma ópera, é necessário um certo esforço, que logo é recompensado pela música e pela emoção.
Faltava então ver uma ópera ao vivo. A minha ansiedade por isto aumentou muito este ano porque Salvador, por falta de público, foi excluída do programa de reprodução das óperas no cinema.

Navegando pela internet descobri que haveria umas montagens brasileiras que seriam apresentadas nos teatros municipais do Rio e São Paulo. Obaaaaa!!! Em um único final de semana em setembro, conheci os dois teatros e vi duas óperas Rigolleto e Tosca.

E agora o máximo, La Boheme e Fausto no MET em Nova York.

Os teatros...

Os três teatros são realmente maravilhosos. Quem for ao Rio ou Sampa, sugiro conhecê-los, se não for ver um espetáculo, pelo menos um passeio turístico.

Dos três se fosse para eu votar, escolheria o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, realmente deslumbrante.


As óperas

La Boheme, uma montagem com direção de Franco Zefirelli que eu já conhecia (dvd). Ao vivo, foi simplesmente espetacular.

Fausto, com uma montagem nada tradicional, bem mais moderna, não tão bonita, mas a interpretação dos três principais, o tenor alemão Jonas Kaufmann, o barítono René Papas e a soprano Marina Poplavskaya foi magnífica, superou minha expectativa. Vale ressaltar que vimos a estréia desta ópera. Comprei os ingressos, via internet, há uns meses atrás quando decidi que iria a NY. Antes de viajar recebi um e-mail do MET, oferecendo um “upgrade”, participar de um coquetel e jantar antes da estréia com sobremesa e champanhe no intervalo, pela “bagatela” de US$1.500,00. ..rs...Um dia chego lá!...

Tosca, no Rio de Janeiro, com direção de Carla Camurati, me emocionou. Não agradou à crítica, mas agradou ao público. Rigoletto foi a mais fraca. Nem mesmo o La donna e móbile, ária super conhecida, empolgou a platéia.

Em relação à música, apesar de não ser entendida, a grande diferença que senti nas montagens nacionais para as do Met, foi realmente a orquestra. Acredito que até mesmo os cantores podem ser prejudicados se a orquestra for fraca.





Metropolitan Opera House - Nova York

Lustres do Met Opera House - NY







10 comentários:

Pat disse...

Bel, gostei muito da oportunidade em acompanhá-la ao Teatro Municipal quando vieste ao Rio. Nunca tinha ssistido a uma ópera ao vivo, mas tinha curiosidade em conhecer e gostei. Espero ir a outras, quem sabe até ao MET em NY.

eleusa disse...

Bel, ontem o Leon me convidou pra ir ao Municipal hoje assistir a opereta "Morcego", falei pra me dar um tempo..rs
Parabéns, pelo seu gosto refinado e te acompanhando ao MET de NY vi a sua paixão e como os seus olhos brilhavam captando tudo não deixando nada desapercebido. Foi bom te acompanhar no teu roteiro cultural.

Fernando disse...

Leu,
Quem educa a mulher é o marido ... Obrigado pela parte que me toca.

Eu tenho sofrido....

Betty Boop disse...

Lindo texto!! Lindas fotos!!!
Parabéns!!!
Conhecer de música já é difícil...complementar com ópera então!!!

Vamos ver se me empolgo e vou assistir algo por aqui!!

Igor disse...

Tô lascado.

Tete disse...

Bel, lindas fotos. Melhor ainda é aconchegar-se na poltrona do teatro e vivenciar aquela música penetrante. Felicidades. Tete

Bel B disse...

As fotos não são minhas, são da Internet, mas retratam a realidade.

Selene disse...

Nossa Bel, que noticia boa. Eu tambem adoro opera. Jah tive oportunidade de ver La Traviata e realmente, eh linda. Aqui em casa fizemos uma vez a noite da opera. Convidamos uns amigos e todos vieram vestidos como se fossemos ao teatro mesmo. Teve ate intervalo com salgadinho leves e champagne. Assistimos La Bohema. Proxima sera Carmen.

Bete disse...

Bel, muito obrigada mais uma vez . Foi muito bom assistir estas óperas com vocês , me senti com12 anos novamente, com alegria de viver e feliz por estar convivendo com você, como éramos na infância. Desde então, já tinhamos interesse por teatro musica e literatura. Espero ainda assitir outras óperas com você, nem que seja em DVD. Parabéns pelo belo texto.

art disse...

Muito bom