domingo, março 13, 2011

Olha aí, Robinho:

RIO - O bloco Galinha do Meio-Dia preparou na manhã deste domingo um café da manhã diferente para fechar o carnaval. O desjejum dos integrantes do bloco foi a base de frango assado, pão e cerveja no Arpoador. Apenas um aperitivo do desfile marcado para as 15h na Avenida Delfin Moreira, no Leblon.

O Galinha do Meio-Dia encerra o carnaval de rua com a presença do Rei Momo e uma série de sátiras e protestos. A diretoria do bloco levará placas e faixas com dizeres como: xô axé, aqui não é Bahia, tradição é cultura, passado não é lixo.

- Precisamos preservar o Rio e o carnaval de rua - disse o fundador do bloco, Nelson Couto, da Confraria do Garoto.

O bloco vai desfilar ao som de marchinhas, sambas e frevos. E contará com 30 instrumentistas 10 ritimistas da Banda de Ipanema, além de integrantes do Galo da Madrugada, de Recife

16 comentários:

CB disse...

Eu acho que falar muito em espantar o axé é pior, vai acabar uma galera do contra colocando só para sacanear. A estratégia de levar o frevo é boa, pois o frevo tem personalidade para fixar presença, mas tem que tomar cuidado, Osmar Macedo começou com o frevo aqui na Bahia e fizeram a união com a batida dos atabaques, foi a fecundação do axé..

Robson disse...

Acho importante que o Rio esteja preocupado com a valorização da nossa cultura. Realmente, a industria do axé tem massacrado nossas raízes culturais. Falo, por exemplo, dos nossos sambistas que construíram a história musical da Bahia. Só para lembrar cito Walmir Lima, que ainda está vivo, compôs o samba Ilha de Maré... "ha, eu vim de ilha de maré minha senhora, prá fazer samba na lavagem do Bonfim...". Quem com mais de 30 anos não lembra? Infelizmente tem que ter mais de 30.... Têm muitos outros: Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Ederaldo Gentil... “o ouro afunda no mar, madeira fica por cima...” sem falar no samba de roda do recôncavo que não se conhece em Salvador. E não é por falta de iniciativa dessa turma não, participei de uma palestra no ano passado sobre o tema, inclusive com a presença de Walmir Lima, e a coisa é complicada, não abrem espaços para outra coisa que não seja o axé. Temos alguns sobreviventes como Armandinho e Moraes Moreira que ainda conseguem sair, mas em condições muitas vezes precárias.
Concordo com Cristiano que não devemos criar uma guerra contra o axé, mas precisamos reconquistar espaços. Acho a idéia das bandinhas nos bairros como acontece no Rio uma boa maneira, mas será que isso pegaria em Salvador? Bandinhas nos bairros!!!
A que ponto chegamos, uma raspada de barba por R$2.000.000,00 (Falo de Bel do Chiclete). Será que é justo?

Bel B disse...

Minha opinião, de quem não entende de música, é que não vejo grande diferença entre as marchinhas de carnaval de antigamente (mamãe eu quero... me dá um dinheiro aí... etc) e o axé de hoje. O que realmente mudou é que as marchinhas de Carnaval, como o nome diz, só tocavam em época de carnaval...

Felipe Matos disse...

Existe uma queixa grade dos músicos que tocam com a galera do axé, de ganharem muito pouco em relação ao que ganha o cantor. Não conheço muito de musica mais estou trabalhando com mercado e sei que se agente não valoriza a nossa mercadoria, temos que vender barato. De quem será a culpa dos músicos receberem pouco?

art disse...

A questão é que o AXé privatizou o Carnaval de Salvador. Não existe alternativa, não há outro camarote, não há outro carnaval. É carnaval de paulista, como dizemos aqui no Rio, não é de baianos. Uma empresa de pesquisa aqui do rio descobriu que somente 16% da população soteropolitana estão ficando na cidade durante o carnaval. Isso já aconteceu no rio há dez anos atrás. Isto é cíclico.

CB disse...

É verdade, o carnaval está voltando à época dos clubes, onde só brincava quem tinha dinheiro para entrar, meu pai falou disso este fim de semana, mas isso seria culpa do Axé?

Betty Boop disse...

nada contra ao frevo ou marchinhas...mas MUITO MENOS NADA CONTRA AO AXE! ADORO!!!
Adoro ver Bel (com ou sem barba) cantando....
Pode ser que os baianos nao estejam curtindo tanto o carnval...mas isso nao seria porque ja temos tantos ensaios, e festas....que podemos nos dar ao luxo de viajar no feriadao?

Anete disse...

Quem somos nós para julgar o que é bom ou ruim?
Acho que tudo tem seu tempo, se eu tivesse hoje 16, 17 anos, estaria firme no Carnaval, decorando todas as músicas e danças, curtindo o Axé, indo a ensaios, etc,etc,etc....
Mas minha fase já passou, fico agora no saudosismo das bandinhas que tocam músicas que conheci e aprendi a gostar durante toda a minha vida.
Imagine um Carnaval só de Ópera, MPB, Rock, Forró, Música Clássica..., uma ou outra com um arrajo carnavalesco tudo bem, mas para agitar a massa tem que ser um ritmo animado.
Creio que há muito preconceito quanto a definição do que deveremos gostar. Aí caimos no politicamente correto - como é difícil ouvirmos alguma coisa que de antemão estamos blindados para "não gostar".

CB disse...

Acho que o movimento contra o Axé, na verdade é um movimento contra o modelo comercial do carnaval que o Axé traz, trios, camarotes, separação das classes etc. Acho nocividade do Axé está aí "no entorno comercial", infelizmente, além do que é uma musica que não precisa necessariamente ser ouvida, é para tanger multidões, "no bom sentido" e inconscientemente, instintivamente. Um carnaval mais consciente é o que se precisa, acho que neste ponto o Axé não é bom, mas como barrar este modelo?

Felipe Matos disse...

Qual é o problema de alguns ganharem dinheiro e outros não? Bem vindos ao capitalismo.

Anete disse...

Isto mesmo Lipe, viva a liberdade, é a lei da oferta e procura. Sempre vai existir isto no mundo todo.
Senão devemos ser contra a Las Vegas, Disney, etc, que foram criadas pelo EUA simplesmente para ganhar dinheiro. Acho que eles são tão culturais quanto o AXÉ.

CB disse...

Se for por aí, pela lei da oferta e procura estaremos valorizando inclusive.. o trafico de drogas.

Anete disse...

Jogou pesado Cris....mas por isto mesmo existe o narcotrafico, a procura é alimentada pelo consumidor.
Como a droga é mais prejudicial que o AXÉ, socialmente falando, tem toda uma estrutura de combate pelos governos.

CB disse...

Acho que a grande discussão é que o axé esmaga as outras expressões culturais com seu modelo de negocio, e tenho duvidas da eficiencia do movimento por este caminho.

Felipe Matos disse...

Será que essas outras expressões culturais não se escolheram para o axé está onde está hoje?
Ou isso é um problema sociocultural, provocado pela falta de educação que de fato existe?
Por exemplo, não me lembro de ter tratado sobre o assunto “musica” na escola.

Robson disse...

Só digo um coisa...
É a força da grana que ergue e destrói coisas belas...