quinta-feira, setembro 08, 2016

Nostalgia

A brochura, "A página de Amelinha” tem, na contracapa, uma foto que registra um breve momento que gostaria de relatar. Estamos os três filhos e minha mãe antes da saída de casa para o primeiro dia de aula. A fotografia foi feita na entrada da nossa casa, no pequeno jardim, antes da entrada principal, que era uma antessala à sala de visitas e sala de jantar do casarão da Rua Nova, número 1, que depois se tornou Avenida Otávio Santos, 495.

Meus irmãos já estudavam na escola do Professor Moura e esse seria o meu primeiro dia nessa escola, assim como seria o primeiro dia para Amélia na Escola Normal. Não me lembro do nome da escola na época, nem tão pouco sei como se chama agora, mas era chamada de Escola Normal, pois tinha essa modalidade de curso colegial, além do clássico e científico, destinada à graduação de professores para o ensino no curso primário. A formação desses professores era primorosa, principalmente na língua portuguesa, que os colocava como pessoas letradas. Estudava-se inclusive latim, como disciplina curricular, e dessa forma os professores do curso primário ocupavam lugar de destaque por seus conhecimentos.
Minha mãe e minha irmã usam saias plissadas nos seus uniformes, que são feitas em casa em uma autoclave que molda essa forma nos tecidos. A autoclave ficava no ultimo quarto da casa, um quarto de costuras, e era um empreendimento de minha mãe – fazer plissados em tecidos para serem usados nos uniformes escolares, e outras saias também.
Eu e meu irmão exibíamos cortes de cabelo com topete, de uso obrigatório na época, e se tornou moda cinquenta anos depois, com os jogadores de futebol.
Após registrar o momento em fotografia, eu estava ansioso para o meu primeiro dia de escola de “verdade”, que era pra valer, que tinha nota vermelha e palmatória. Antes foi o pré-primário e a alfabetização na escola de Dona Mariquinha. Notei que minha mãe também estava apreensiva, pois, para Amélia, também era o seu primeiro dia de escola formal – antes tinha sido alfabetizada por sua avó Emília, seguido de um curso primário sem prometimentos em Três Morros (atual Lafaiete Coutinho). Agora ia iniciar o curso ginasial na Escola Normal: não podia ter notas vermelhas, pois era mãe de três filhos, que eram dedicados aos estudos, e esposa de um dos médicos da cidade. Mas ela tinha escolhido que ia tomar esse rumo, começando pelo de todos os dias seguir pela Rua Siqueira Campos para a Escola Normal.
Foi o nosso caminho sem volta, depois desse dia, nunca passamos um dia sem ir para a escola.
(Luiz Eduardo Barreto Martins)


2 comentários:

Norma Viana disse...

Lindo texto.Me emociono com essas lembranças eu as vivi.Saudades dessa casa onde passamos dias felizes . Parabéns Duda.Adorei.

Marcelo/Leri disse...

Duda, foi lá na escola do Prof. Moura que nos conhecemos, e lá se vão 52 anos. Lembro-me que conheci sua Mãe em minha casa tomando curso de português com meu pai.