domingo, maio 18, 2014

Comer pra não jogar fora

Comer pra não jogar fora é um dos grandes motivos das pessoas engordarem.
As mães são campeãs, fazem as comidinhas para convencerem os pimpolhos e quando não conseguem, elas mesmas, com pena, consomem a iguaria. Na nossa família ouvimos tanto isto, não desperdiçar comida, que é comum as pessoas se sentirem obrigadas a comer as sobras, então a gente vira o próprio lixo.

Uma vez ouvi  alguém comentando, que era ateu, mas que os princípios religiosos estavam  incutidos nele, devido a sua criação. É mais ou menos assim, eu que desde adolescente luto para manter o peso,  tive que batalhar para me livrar desta crença: o pecado de jogar comida no lixo. Muitas vezes na minha própria casa tive que convencer alguém da família que era melhor descartar um resto de comida que guardar na geladeira, para se desfazer daquilo no dia seguinte, como faz a maioria. Não tenho a habilidade de tia Nicácia que exercia a arte de transformar comida e qualquer sobra era aproveitada para uma nova receita. Só que os filhos diziam que era fria comer os empanados ou escondidinhos feitos por ela...

Eu costumo dizer que já me livrei disto, mas há pouco refletindo sobre o assunto, descobri que não é bem assim.... Os princípios estão incutidos... Como isto se reflete? Comprando pouco, principalmente frutas e verduras que logo se perdem. Uma vez comprei duas bananas para  fazer uma farofa. Fui tachada de casquinha, mão de vaca, “martins”, etc.. As vezes compro dois chuchus ou duas beterrabas e na semana passada ao comprar 1 ameixa na Perine para experimentar se estava boa,  me vi justificando com a moça do caixa, pode?

Ao contrário de mim, Fernando quando vai ao Ceasa, compra em excesso. Já chegou em casa com um saco de laranja, um de limão, um de tangerina, três melancias e 10 abacaxis. Como gosto de pêssego, no ano passado, toda semana ele comprava uma caixa. E eu reclamando, reclamando. Até uma caixa de caqui ele comprou recentemente. Para não perder tanta coisa eu distribuo uma parte e ele se queixa.
Certa vez ele pediu que eu comprasse 2 kgs de bacon, eu respondi que só em outra encarnação para eu comprar 2 kgs de bacon!...

Edinho, do mesmo modo, ou um pouco mais exagerado. De vez em quando chegam abóboras e jacas gigantes por aqui e agora como o tomate ta barato lá por Jaguaquara, resolveram fazer extrato. Vejam a produção só deste fim de semana  lá em Three Hills, no famigerado fogão a lenha

Haja espaguete!.. e se formos comer toda esta produção pra não jogar fora...
Processo de fabricação

Produto pronto para distribuição
Ah sim!... O nome escolhido para o produto: Peneirado Ikeda...


13 comentários:

Luladasequacao disse...

Bel,

Estou no mesmo time, tinha neurose de jogar comida fora. Ai criei a frase "eu nao sou lata de lixo...." para quando as pessoas insistem. Ja usei com familiares, uma vez cheguei a usar com a esposa de um amigo de trabalho, criou mal estar mas funcionou.

Lula (dasequacao)

Mariana disse...

Desse mal não sofro... só não deixo sobrar vinho, o resto nem me abalo...

eleusa disse...

Pode exportar extrato de tomate para Sampa. Até dar baixa nesse estoque vai demorar.

Fernando disse...

Isabel

Pamarola é coisa seria não é BESTEIROL.

FOI UM TRABALHO DE MESTRES.

NÓS SOMOS OS MELHORES............

Fernando

Bel B disse...

besteirol não é Peneirado Ikeda e sim o meu texto...

CB disse...

Confesso que não vi nobreza no ato, mesmo sabendo que foi um ato em prol do “não-desperdício”, o propósito foi para, ao invés de ir para o lixo ir para o bucho, porque, até onde foi divulgado, não houve distribuição aos pobres. (Não estou criticando, pois não sei se a intenção inicial foi denotar mérito pelo reaproveitamento, se foi, é crítica, se não foi, é uma simples interpretação). Voltanto ao assunto. Observando bem, salvo as aparentes caras de felicidade e contentamento, me parece cena de guerra.

Concordo que em momentos de crise não se deve jogar comida fora, mas parece que existe uma crise que não sai de nós.

Não tenho dúvidas que pela qualidade dos cozinheiros o extrato deve ter ficado uma beleza, nossas reuniões geralmente têm peculiaridades do encontro que só quem conhece sabe o valor, mas infelizmente isso fica em segundo plano, talvez não todas as vezes, mas boa parte delas. O gancho é sempre o prato...

Ao invés de enaltecermos o brio culinário, em prol do aperfeiçoamento e do compartilhamento da informação, enaltecemos o gesto pelo temor da falta, valorizando mais a habilidade de resgate daquilo que poderia ser perdido, do que pela conquista daquilo que podia ter sido agregado, agregado no aspecto intelectual. Digo brio culinário apenas para aproveitar o tema, mas outros assuntos deveriam obter maior relevância que o simples cozer, digo simples porque isso poder obter outro grau de sofisticação, que não é o caso.


Bel tocou em questões centrais, comprar menos, planejar os suprimentos e deixar a cabeça decidir ao invés do estomago, mas para parte dos Barretos isso não é nem classificado como uma conversa, é meio mugido, latido, um som qualquer que os Barretos ouvem ao longe até parar, se por acaso estiverem olhando para você enquanto fala isso, saiba que é somente por consideração, porque quando se fala de comida a linguagem é outra, e digo mais, não adianta comprar sopa de letrinhas, serão engolidas sem soletrar.

Para quem é de fora, ou melhor de outra cultura, talvez soe estranho ver a comida assumir um papel tão central como nos nossos encontros, apesar de ser agravável, sem dúvida. A questão que me permanece é: como a busca pelo alimento ainda é tão valorizada, como uma necessidade vencida a tempos traz tanto significado e porque não é vencida ?..

Eu reclamo, mas estou no mesmo caminho, doravante estar resistido em busca da encruzilhada.

Fico por aqui.

Anete disse...

Nosso novo filósofo o grande Kinho.
Sem comida não há alegria de viver.

Bel B disse...

Há outro motivo além do não desperdício ou da comelança:o prazer em produzir algo e distribuir gratuitamente para amigos e família.

CB disse...

Anete definiu nosso emblema em uma frase, isso é o que é hoje. Sobre "prazer em produzir algo e distribuir gratuitamente para amigos e família." eu não sei se este pega carona na comilança como método de felicidade, como bem citou Anete, ou nos resquícios religiosos.. advindos de anos e anos de exercícios de bondade para com o próximo, não entendo muito do assunto, ainda estou no inicio do meu "anticristo"..

Leonardo Barreto disse...

Morei 5 anos com Tia Amelia e foi a maior experiencia de comida da minha vida, transformar era ali : bobó de qualquer coisa , sopa de cabeça de traíra , os caldos eram de lascar...
Aqui em casa vivo o mesmo problema Bel, sou exagerado no mercado , gosto de fartura , mas digo a vc fico feliz em poder comprar e fazer as pessoas felizes,tenho minha esposa que come pra caramba , minhas duas pequenas parecem duas metralhadoras , uma secretária que não pára a boca.
Com o meu depoimento mando um recado para Fernando, se ele for esta semana para a Fábrica Ikeda e não me levar vou virar na porra e digo mais , tem muita gente doida pra ir. " comer é uma das melhores coisas da vida "
Um abraço a todos os magros e aos falsos magros filosofos.

CB disse...

Eu não sou contra comida e tampouco pelo exercício de aproveitar a comida do almoço para a janta, isso é criatividade, não critico a comilança isso acontece, também minha crítica não é ao exagero,.. deu nó? Minha crítica é da devoção, da veneração criando a dependência como fator de felicidade, tal como uma religião, a religião da comida..

Não sou filosofo, apenas observador e comedor de jaca.

Fernando disse...

Produzir, fazer, realizar é uma satisfaçao para poucos. Consumir é opção para todos.
Como diz o filósofo Edson Barreto: todo gordo é alegre e todo magro é triste. Ponto. Então comer trás felicidade! Cozinhar e comer com amigos e família não tem preço!

Leo, partimos sexta-feira!

CB disse...

És um romântico