quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Não existe verdade, existe versão....Acudam-me, filósofos!...


Álvaro me questionou sobre a frase acima que está também no lado direito superior no blog, que incomoda a ele,  pois do seu ponto de vista, que suponho ser do Direito:

“Não existe (mais) o FATO, mas sim versões.
A Verdade  não deixa de existir, independente do tempo.”

Navegando pela internet encontrei esta historinha que exemplifica bem a verdade e as versões:
“Dois agentes secretos rivais entram em uma sala, cada um entra por uma porta oposta ao outro. Então percebem que no meio da sala tem uma mesa com uma bomba-relógio, entretanto, cada agente apenas vê um lado da bomba: um deles apenas percebe que ali tem um relógio e nota que vai despertar em 10 minutos, só viu isso. Porém, o outro agente (no lado oposto da sala), apenas viu várias bananas de dinamite conectadas, mas não vê detonador algum. Só viu isso também. Ainda não sabem que se trata de uma bomba-relógio.
Pontos de vista diferentes, então cada um tem sua verdade exclusiva, única e independente?
A realidade é apenas uma, ou seja, ambos estão diante de uma bomba-relógio que vai detonar em 10 minutos, mas cada um vê apenas parte dessa realidade.
O agente que viu as dinamites diz: “tem uma bomba aqui, mas não há detonador!”. O outro, que é um agente rival e desconfiado, diz: “impossível, só há um relógio aqui, seu mentiroso!”.
Pois bem, o primeiro agente juntou as informações e compreendeu a realidade dos fatos e, obviamente, fugiu. O agente “dono da verdade” ficou e morreu com a explosão.” (Christian Brito)
Depois o autor conclui ser possível chegar a Verdade Absoluta.

A minha intenção com esta frase era que qualquer história poderia ser contada no blog independente de ser verídica.  Ou melhor, a verdade de um nem sempre é a verdade do outro. E aqui não precisamos provar nada...
No caso  acima fica  claro que a verdade existe e foi provada, mas se por acaso não existem provas,  a verdade continua existindo?
Andei lendo por aí que não há consenso entre os filósofos sobre o que é a verdade. Outra frase que coloquei no blog porque também achei interessante, dentro do mesmo espírito, esta de Nietzsche, que achava que a verdade era um ponto de vista:
"Não há fatos eternos como não há verdades absolutas".

Enfim... aguardo opiniões, versões, verdades, pontos de vista....

9 comentários:

Alvaro Risso disse...

Legal abrir o tema à discussão. Quem sabe agora "a verdade aparece" ... rs

Igor Matos disse...

"Não tem certo nem errado
Todo mundo tem razão
E que o ponto de vista
É que é o ponto da questão"
(Que Luz é essa? Raul Seixas)

Anônimo disse...

Que tal essa? Um fato só existe quando há alguém para contar a sua versão. Se ninguém presenciar um acontecimento ou não passar o que viu adiante, ele se perde no tempo e deixa de existir....por tanto não há verdades absolutas, apenas versões de fatos. Além disso, se por acaso quisermos reconstituir um fato de maneira exata (verdadeira), não conseguiremos. Por que? Porque o que existe são apenas versões e essas versões dependem dos olhos de quem vê, além é claro das habilidades e vivências dessa pessoa.
Como me contaram uma certa vez, o passado só existe porque alguém contou o que viu, o que não viu ou o que pensou ter visto. Assim, continuemos a contar qualquer história no blog, como Bel falou, e deixemos para os leitores descobrirem o grau de 'verdade' contido nela. Aí está a graça!

Mariana disse...

"Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobre
Qual deles mais desce"
(Verdades e Mentiras - Sá e Guarabyra)
A "verdade" do cotidiano é a tradução fiel dessa música de Sá e Guarabytra... Escute!

Fernando disse...

Eu sempre brinco com a verdade. As vezes as pessoas acreditam quando falo uma mentira e não acreditam quando é verdade... Para mim a verdade depende do momento. Exemplo, fiquei rico... Ninguém acredita. Fiquei pobre, todo mundo acredita...
Conclusão : verdade=mentira. Você decide...
Do filósofo Fiedrichtfdksktofff...

art disse...

Meu entendimento da pergunta de Bel foi sua derivada segunda, isto é: o que real?
Desse modo decidi responder com um trecho de meu livro (ainda em andamento, e talvez nunca publicado) “Filosofia para Engenheiros”:
Platão, em um momento de genialidade (que depois não lhe foi mais recorrente, no meu ponto de vista) criou uma metáfora fascinante (em Timeu, 28 a):
As coisas desse mundo são apenas objetos de uma opinião ocasionada pela sensação, baseada em percepção não provada conceitualmente. Enquanto nos limitamos à sua percepção, assemelhamo-nos a homens que estariam sentados presos numa caverna escura, tão bem atados que não poderiam girar a cabeça de modo que nada veriam, a não ser as sombras projetadas na parede à sua frente de coisas reais projetadas pela luz de um fogo ardente atrás deles. Cada um veria inclusive aos outros e a si mesmo apenas como sombras na parede. Sua sabedoria, então, consistiria em predizer aquela sucessão de sombras, apreendida pela experiência. Em Platão, a realidade, nunca conhecida é denominada Idéia, em Kant, Coisa-em-si, e em Schopenhauer, Vontade.
Nesse último, o princípio da razão é uma função do entendimento baseado nas formas do conhecimento a priori, isso é aquele conhecimento que não aprendemos, já nascemos com ele: o tempo, o espaço e a causalidade. Por meio deste conhecimento a priori, conhecemos os objetos do mundo apenas em suas condições de fenômenos, não como eles são em si mesmos. Trata-se nesse caso da representação submetida ao princípio da razão (véu de Maia da existência) que nos impede o conhecimento cristalino das coisas.
Há 4 figuras do principio da razão em Schopenhauer:
1. O principio da razão do Ser, que rege as representações a partir das formas puras da sensibilidade, isto é o espaço, o tempo e a causalidade,
2. O princípio da razão do devir, que rege as representações empíricas, isto é, as intuições,
3. O principio da razão do conhecer, que rege as representações abstratas que compõem as ciências, e
4. O princípio da razão do agir, que rege as ações a partir dos motivos (*)
(*) Esses motivos podem ser conscientes ou inconscientes como indicou depois de Schop, Nietzsche (Genealogia do Bem e do Mal, e Gaia Ciência), e Dostoievsky (Memórias de Subsolo) e que vem a ser elaborado pelo genial “Mal estar da Cultura” de Freud.
Em Schopenhauer o estado de loucura baseia-se na tese de que lacunas no fio da memória, ocasionadas por intenso sofrimento são preenchidos com ficções ou idéias fixas, o louco é assim avesso ao princípio da razão, tendo isso em comum com o gênio, mas isso é outra história.

art disse...

Há um pensamento muito interessante em Spinoza: "Uma pedra movida por um impulso qualquer, caso tivesse consciência, acreditaria que se movia por sua própria vontade"

Schpenhauer acrescenta: "Pois eu aqui acrescento que a pedra teria razão".

Luladasequacao disse...

Bel, eu concordo com voce e discordo de Alvaro por duas razoes.

1 - O ambiente criativo do blog e a melhor parte. O blog e mais uma novela, um romance, a criatividade do grupo. O blog nao e a Biblia ou Torah, que teoricamente e uma lista de verdades.

2 - Na parte filosofica, eu apelo para a matematica. No inicio do seculo 20 Bertrand Russel e Alfred North Whitehead escreveram um livro "Principia Mathematica" para estabelecer os principios da logica matematica. Porem em 1931 Godel apresentou 2 teoremas demonstrando que e impossivel provar completamente que a logica matematica e correta. Ele provou que "Principia Mathematica" nao so estava errado como tambem a solucao nao existia.

Minha interpretacao disto e que se nao conseguimos escrever verdade para um sistema teorico e simples como numeros naturais, nao faz sentido procurar a verdade em outras coisas. A unica maneira de se ter verdade e por fe (religiao) onde voce acredita e ponto final.

Lula

Celia disse...

Cada um pensa que é o "dono" da Verdade, independente da sua formação e idade. Igual ao caso contado por Bel, lembro-me que lia no volume 1 do "Mundo da Criança" (para os mais novos leitores) uma fábula hindu sobre os sete cegos e o elefante.
Quando tiveram a oportunidade de conhecer um elefante, cada um pegou em uma parte e as descrições foram as mais absurdas: uma grande ventarola para o que pegou na orelha, uma palmeira para o que pegou na perna, uma parede, uma cobra, uma corda, etc. E como sábios, cada um teimosamente defendia o que "viu". Conclui-se então que "É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!”
Como não somos capazes de ver um palmo adiante do nariz, continuamos, teimosamente, cada um com sua versão