terça-feira, janeiro 29, 2013

Literatura feminina


Há muito mais tons que apenas cinquenta na literatura feminina. Recentemente li alguns livros muito bons, mais dirigidos para este público, sem querer discriminar... Vou comentar então INFIEL de Ayaan Hirsi Ali. É um livro de memórias que conta desde  a sua infância na Somália, onde nasceu, e nos vários países onde morou: Arábia Saudita, Quênia, Etiópia até pedir asilo na Holanda onde viria a ser deputada. Perseguida e ameaçada de morte pelos fundamentalistas islâmicos, mudou-se para os Estados Unidos.

Ayaan nasceu numa família mulçumana e foi criada nesta religião. Quando criança foi submetida barbaramente à operação de clitorectomia, sem anestesia, por responsabilidade absoluta da avó, sem o consentimento do próprio pai, que não concordava, mas infelizmente vivia longe. Este procedimento é comum na Somália e o pior é que as crianças passam por este sofrimento e mais tarde a cultura e a religião fazem com que elas cresçam acreditando ser isto o correto. Passam a si considerarem mais puras que as seguidoras de outras religiões  e posteriormente repetem o processo com suas próprias filhas e netas.
Por ter vivido também no Quênia e na Etiópia, Ayaan aprendeu inglês e teve acesso a literatura e ao cinema ocidentais, fazendo com que ela começasse a questionar os ensinamentos da religião e  não aceitar determinados costumes tais como o casamento arranjado pela família. Sonhava ter uma profissão, mas foi forçada a se casar, contra a sua vontade e sem necessidade de comparecer a cerimônia, pois o pai tem autoridade para resolver tudo. Por sorte, o noivo morava no Canadá onde ela iria encontrá-lo. Ao parar em Frankfurt, ficou deslumbrada com o mundo ocidental e  fugiu para Holanda onde conseguiu asilo e mais tarde cidadania.
Aprendeu holandês, entrou para a faculdade para estudar História e Política, então  trocou a religião pela razão, passou a defender as mulheres e ser uma crítica ferrenha ao Islã. Conheceu um cineasta holandês e juntos fizeram um filme que atacava Maomé e a religião. Os dois foram então condenados à morte pelos radicais islâmicos, que conseguiram assassinar o cineasta.

Inacreditável que em pleno século XXI, aconteçam tais coisas, quantas mulheres no mundo não sabem o que é viver em liberdade, ter direitos iguais, ser respeitada pelo que é e não pelo seu marido ou nome de família? Quando penso que  Ayan Hirsi Ali é 17 anos mais nova que eu,  que não estou lendo uma história da idade média e sim dos dias atuais, fico feliz por ter nascido neste Brasil, ó Pátria Amada, Idolatrada, Salve, Salve.

10 comentários:

Anônimo disse...

Bel,
Surpresas de um verão. Enviei por Noelia alguns livros de presente, que serão entregues para você, para todos interessados em leitura. Tanto que alguns já se perderam no caminho. Um foi "O anjo azul" de Herich Mann que seria parte de uma "trilogia" sobre os amores na idade avançada, junto com a casa das moças adormecidas e humilhação.
Outro extraviado foi "Fogo" de Anais Nin, terceiro livro dos diários da escritora/amante de Henry Miller, sobre o universo feminino dos anos 30, dos 1900. Como ainda não li os cinquenta tons estes diários podem ser os precursores do movimento feminista, e enriquecer a discussão do universo feminino. bjs. Dudão

Anônimo disse...

Tem um filme = FLOR DO DESERTO, sobre o assunto. Excelente

Waris Dirie (Soraya Omar-Scego / Liya Kebede) nasceu em uma família de criadores de gado nômades, na Somália. Aos 13 anos, para fugir de um casamento arranjado, ela atravessou o deserto por dias até chegar em Mogadishu, capital do país. Seus parentes a enviaram para Londres, onde trabalhou como empregada na embaixada da Somália. Ela passa toda a adolescência sem ser alfabetizada. Quando vê a chance de retornar ao país, ela descobre que é ilegal da Somália e não tem mais para onde ir. Com a ajuda de Marylin (Sally Hawkins), uma descontraída vendedora, Waris consegue um abrigo. Ela passa a trabalhar em um restaurante fast food, onde é descoberta pelo famoso fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall). Através da ambiciosa Lucinda (Juliet Stevenson), sua agente, Waris torna-se modelo. Só que, apesar da vida de sucesso, ela ainda sofre com as lembranças de um segredo de infância.

Bel B disse...

Ôbaaaaaa!!!... estou esperando os livros. Aqui, os que leio vou repassando também.
Quando fui viajar em setembro tinha terminado o livro que estava lendo então procurei um por aqui. Como todo leitor, eu também compro livros e não leio, parece que tem o momento certo. Encontrei O Paraíso na outra esquina, de Mario Vargas Lhosa, que se não me engano foi seu,Duda. É sobre o pintor Gaughan e sua avó... Adorei!

Vou ver se acho o filme na internet.

Igor Matos disse...

A gente fica achando que estas coisas só acontecem no cinema. Porém um dia desses Rose conversando com uma indiana que é engenheira aqui na Dow ficou sabendo que ela ia casar e perguntou sobre o noivo. A mulher respondeu que tinha dois pretendentes mais que não os conhecia ainda, pois a família é que os tinha escolhido, estava em processo para conhecer e depois casar. Simples assim.

Mariana disse...

Esse livro foi uns dos que li por indicação de Bel, bem escrito e nos leva a ver um "mundo" totalmente diferente e surreal daquilo que conhecemos. Vou ler os outros dos comentários ; )

Bel B disse...

Lendo o comentário de Igor, me lembrei, em um livro que li há pouco, a personagem dizia para o marido: "Eu queria ter nascido na India, pois com certeza minha mãe não teria escolhido você pra mim " ...rsrs

eleusa disse...

Estou lendo "O Harém de Kadafi" de Annick Cojean, é mais uma babárie.

Anônimo disse...

Acabei de ler " a cidade do sol" de Khaled Hosseini (de caçador de pipas) é muito triste ver como vivem estas mulheres, fica até dificil imaginar, mas muito bom. Vane

Alvaro Risso disse...

O q mais me impressiona nesses relatos, é q vejo cada vez mais mulheres no Brasil, usando o véu islâmico. Q lavagem cerebral é feita para isso? Sempre tive vontade de perguntar a uma delas, se ela concorda com o marido ter mais de uma mulher, como permite a sua fé, ou ainda ser apedrejada em caso de deslize. Para complementar o pensamento, anexo um e-mail q recebi:
Paradoxos difíceis de entender.

Os muçulmanos não estão felizes...
· Eles não estão felizes em Gaza.
· Eles não estão felizes na Cisjordânia.
· Eles não estão felizes no Egito.
· Eles não estão felizes na Líbia.
· Eles não estão felizes na Argélia.
· Eles não estão felizes em Tunísia.
· Eles não estão felizes em Marrocos.
· Eles não estão felizes no Iêmen.
· Eles não estão felizes no Iraque.
· Eles não estão felizes no Afeganistão.
· Eles não estão felizes na Síria.
· Eles não estão felizes no Líbano.
· Eles não estão felizes no Sudão.
· Eles não estão felizes na Jordânia.
· Eles não estão felizes no Irã.

Onde os muçulmanos estão felizes...
· Eles estão felizes na Inglaterra..
· Eles estão felizes na França.
· Eles estão felizes na Itália.
· Eles estão felizes na Alemanha.
· Eles estão felizes na Suécia.
· Eles estão felizes na Holanda.
· Eles estão felizes na Dinamarca.
· Eles estão felizes na Bélgica.
· Eles estão felizes na Noruega.
· Eles estão felizes em U.S.A.
· Eles estão felizes no Canadá.
· Eles estão felizes na Romenia.
· Eles estão felizes na Hungria.
· Eles estão felizes na Austrália.
· Eles estão felizes na Nova Zelândia.

Eles estão felizes em qualquer outro país no mundo que não está sob um governo muçulmano.

E quem eles culpam?
· Não o Islam.
· Não a liderança deles.
· Não a si mesmos.

Culpam os países onde estão vivendo livremente e bem.
Isso é tão verdadeiro... A democracia é realmente boa para eles: uma democracia que eles podem viver confortavelmente, aproveitar a alta qualidade de vida que eles não construíram e nem trabalharam para ter.. Podem manter seus costumes, desobedecem às leis, exploram os serviços sociais, fazem paródias de nossa política e de nossos tribunais. Geralmente, mordem a mão que os alimenta.
A questão é contraditória, paradoxal. Eles tentam trazer seu sistema de vida falido e querem transformar os países que os acolheram no país que abandonaram em busca de uma vida melhor!

Dá para entender?

Bel B disse...

Neste livro a autora fala exatamente isto, sobre a Holanda, que acolhe os muçulmanos dando as melhores condições de vida e eles vivem a reclamar...