terça-feira, julho 19, 2016

Metafísica - um approach inicial

Por uma palavra originária entendemos aquela que se formou a partir de uma experiência humana essencial e originária como sua locução. Dizer isto, não equivale a afirmar que esta palavra originária também precisa ter surgido em um tempo originário, ela pode ser relativamente tardia. O carácter relativamente tardio de uma palavra originária não fala contra este carácter. (Heidegger).

Vamos voltar no tempo:

Em Messina, entre 1280 e 1290, Abrãao Abulafia compôs tratados cabalísticos que, depois de permanecerem manuscritos por séculos nas bibliotecas europeias, apenas no nosso século foram restituídos à atenção dos não especialistas por Gershom Scholem e Moshe Idel. Neles, a criação divina é concebida como um ato de escritura no qual as letras representam, por assim dizer, o veículo material por meio do qual o verbo criador de D’us – assimilado a um escriba que move a pena - incorpora-se às coisas criadas:

“O segredo que está na origem da multidão das criaturas é a letra do alfabeto e toda letra é um signo que se refere à criação. Como o escriba tem em mãos a sua pena e, por meio dela, traz algumas gotas da matéria da tinta, prefigurando na sua mente a forma que quer dar à matéria – todos gestos nos quais a mão do escriba é a esfera vivente que move a pena inanimada que lhe serve de instrumento para fazer escorrer a tinta sobre o pergaminho que representa o corpo, suporte da matéria e forma, assim também atos similares são realizados nas esferas superiores e inferiores da criação, como quem tem inteligência pode compreender por si, porque acerca disso é proibido falar mais.”


A explicação seria aquela onde D’us não interfere na sua criação, uma vez que por axioma há de ser perfeita, como Ele.

Penso que a profundidade do pensamento de Leibniz encontra essa potência, mas isto é outra história.


Nenhum comentário: