segunda-feira, julho 11, 2016

A noção de potência no séc. XIII - Ghazali em Guia dos Perplexos.

Um iluminado pela luz de D'us corre os olhos por uma folha de papel escrita com tinta preta e lhe pergunta: 'como tu, que antes tinhas uma alvura que cegava, agora está coberta de sinais negros? Por que tua face ficou negra?'. És injusto comigo, responde a folha, pois não fui eu quem enegreceu meu rosto. Pergunte à tinta, que sem razão alguma saiu do tinteiro para espalhar-se sobre mim. O homem dirige-se à tinta para obter explicações, mas esta responde remetendo-o à pena, que a tirou de sua tranquila morada para exilá-la na folha. Interrogada, por sua vez, a pena o remete à mão que que, depois de tê-la talhado e cruelmente dividido a ponta, imergiu-a na tinta. A mão, que diz não ser outra coisa senão carne e míseros ossos, convida-o a dirigir-se à Potência que a moveu; a Potência, à Vontade, e esta, à Ciência, até que, de remissão em remissão, o iluminado chega, por fim, diante dos impenetráveis véus da Potência divina, desde os quais uma voz terrível grita: "A D'us não se pede satisfação do que faz, ao passo que a vós serão pedidas satisfações"

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