segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Parem o mundo que eu quero descer...

Sou antiga. Estudei em colégios públicos, tive colegas de todas as cores e classes sociais. Todo mundo brincava com todo mundo e não era “bullying”.
Havia piadas com portugueses, negros, deficientes, índios,  judeus, padres e não eram ofensas, era criatividade e bom humor.  Agora só mesmo piadas com loiras, até o dia que as loiras se revoltarem ...  Vejo mulheres negras lindas e bem sucedidas como Maju do tempo, Taís Araújo, Sheron Menezes fazendo um escarcéu porque um imbecil qualquer escreveu uma bobagem nas redes sociais. Não seria melhor deletar e ignorar?... Será que não entendem que tem alguém querendo aparecer?...

E o assédio sexual?
O termo “assédio sexual” começou a ser usado para definir uma coerção, ameaça ou insinuação de ameaça de caráter sexual geralmente de uma pessoa de posição hierárquica superior. Agora a insinuação mais simplória é considerada assédio, até mesmo quando uma menina passa na rua e um rapaz diz alguma coisa. Será que quando Tom e Vinicius fizeram a música Garota de Ipanema não estavam assediando:
Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar “

Fiquei pasma quando vi os relatos num programa na TV sobre este assunto. Uma moça na estação esperava o metrô, passou um cara e disse alguma coisa, ela ficou ofendida e foi denunciá-lo. Outra na rua, por sinal bem feia (desculpem o politicamente incorreta) se sentiu um objeto sexual porque um rapaz olhou para ela e falou uma bobagem. O mundo mudou.  Se não me engano foi Danuza Leão quem falou que seu ego inflava, quando passava na frente de uma construção e os peões assoviavam.  

 O “beijo roubado” que era tão romântico.. Um repórter da Globo News de Nova York, disse que lá um rapaz tem que perguntar a moça se ela quer ser beijada e ela tem que responder literalmente YES, senão é assédio...  (Eu disse um rapaz e uma moça?... pode ser também uma moça e uma moça.. um rapaz e um rapaz.. uma moça e um rapaz... vale tudo!)

E as babaquices com as crianças? Que nem podem mais cantar Atirei o pau no gato, nem ler Monteiro Lobato!!!

Ivete Sangalo teve o bom senso de declarar no carnaval que quem é da Paz não vai sair por aí atirando porque cantou Metralhadora ... trá trá trá...

Então... neste mundo em que negro é afrodescendente, cego é deficiente visual, gordo é cidadão fora do peso ideal e velhice é melhor idade, haja paciência. Faço igual a Raul: Parem o mundo que eu quero descer... 

3 comentários:

Anete disse...

Concordo em número, gênero e grau.
É a geração de pessoas chatas e egoístas, será que não enxergam um palmo na frente do nariz. Seria mais proveitoso se aproveitassem este politicamente correto para tratar de coisas mais importantes, como a educação.
Se sou negro, tenho que ser chamada de negro, o preconceito perde o poder quando você se apodera da verdade e não se incomoda com a opinião alheia.
E a espontaneidade fica aonde?
Se me chamam de macaco devo encarar como um elogio, afinal se me ofendo é porque também tenho um preconceito do bichinho que não faz mal a ninguém.
Lógico que não me sinto bem quando sou ofendida com palavras de baixo calão, mas na vida isso ocorre e tenho que ter meios de me defender, muitas vezes ignorando.
Lógico que fico puta quando me chamam de barbeira, mas na verdade posso ter feito uma barbeiragem sim.
Até o assédio é questionável, quem já não foi assediada(o)? Temos que nos preparar para nos defender pois nada na vida é fácil.
E tenho que ter um tempo para mudar minhas opiniões e preconceitos adquiridos ao logo deste meio século. Não tenho nada contra sobre as opções sexuais das pessoas, mas ainda não consigo ver com naturalidade pessoas do mesmo sexo se agarrando na minha frente. É a questão de estética que estão nos obrigando a aceitar por cima de pau e pedra.
E o poliamor? Realmente não consigo achar legal a poligamia, mas isso tem a ver comigo, tem pessoas que tem necessidade de ter vários amores ao mesmo tempo, e aí? Cada um convive com as suas diferenças, mas preciso de um tempo para me adaptar.
Preconceito... lógico que somos altamente preconceituosos, não tem como ser diferente.
Mas com o tempo vamos mudando, e espero que sempre para melhor.

Celia disse...

Esta é a ironia da vida! Nossas mães foram criadas para se libertarem (dos pais) pelo casamento; nosso pais (também sob o julgo do seus próprios pais) também acreditaram que poderiam exercer suas qualidades de comando na sua nova e maravilhosa família. "Caíram do cavalo". Nós, mulheres da geração hippie, geração woodstock, identificamos a carreira profissional como o fundamento da liberdade; os homens, aprenderam a trabalhar em equipe e acreditaram que, com sua própria esposa e filhos, alcançariam a liberdade. Todos nós', também, "caímos do cavalo". Hoje, homens, mulheres e outros (tenho que incluir os diferentes optantes sexuais sob o risco de ir para a cadeia por discriminação) vivem num sistema ditatorial, que não existia em outros tempos. Não podemos olhar detalhadamente para outra pessoa, não podemos identificar ninguém por sua raça, especialmente se for da negra, nem mesmo tentar ajudar um "independente" deficiente físico. Agora entendo os "civilizados" americanos e distantes europeus que usam "sorry, excuse me, pardon, etc." cada vez que, por acaso, esbarra ou contata fisicamente outro. Há algum tempo, comecei a criar minha bolha e fechar minha boca. Estou quase como um americano ou francês, que tanto criticava como gente fria, sem calor humano.

Alvaro Risso disse...

Eu em Fortaleza, quando ia aos forrós, sempre perguntava no guichê da entrada, quanto era o "casal homem e mulher". As pessoas riam mas hoje, depois desse movimento, temos que tomar esse cuidado.
Já li um artigo há algum tempo atrás, onde situava a origem do politicamente correto, nos idos da primeira guerra e também chamado de "marxismo cultural". Isto é, com o objetivo de reformar a cultura de um povo para implantar o comunismo, já que a cultura anterior (capitalista/liberal/democrática) impede a aceitação do socialismo. Os conceitos de família, sexo, cor, hierarquia, etc, tal como a tradição entende, tem que ser destruídos.