quarta-feira, dezembro 23, 2015


Ei turma, esconde tudo que os filhos de Carmélia estão chegando
Coloquei no site a crônica enviada para a 2ª edição do livro de Amélia e houve um comentário anônimo, com uma frase interessante, que deveria ter outra postagem. Considerando o estímulo de Isabel, de que devemos registrar a história (mesmo que a memória temporal seja a de criança), gostaria de comentar o que sei sobre o assunto.
Bom, quando o fato ocorreu, eu era demasiada criança para guardar os devidos e verdadeiros detalhes.
Era natural em Conquista na década dos 60s, nos finais de semanas, que as donas de casas preparassem quitutes, inclusive bolo, para receber os amigos e até mesmo fornecer um cardápio variado, principalmente porque não havia pão nos armazéns da redondeza nestes dias.
Amélia, em que pese sua grande fama de cozinheira, nunca foi boa doceira, apesar de preparar bolos confeitados para aniversários e casamentos. Em casa, creio que no sábado, Dona e Jaci preparavam um bolo comum, sem especialidades, para o final de semana de acordo com a regra natural da época. O bolo, logo que retirado do forno, ficava no buffet da sala de jantar, sobre a famosa mobília colonial, que contavam ser de origem portuguesa.
Em algum destes finais de semana, Raminho e René (acredito que Eleusa não estava envolvida neste famoso delito), “os filhos de Carmélia”, passaram lá por casa e, de pedaço em pedaço, diminuíram a oferta do bolo preparado para o final de semana. Recordo-me do questionamento de minha mãe e da justificação de Jaci quanto à falta de parte do bolo.
Outro final de semana, outro bolo preparado e posto para esfriar e lá vem Raminho e René (não sei se somente um, ou os dois). Jaci, dentuça e magrela, depois de uma manhã puxando o escovão para encerar a tal da sala de jantar, cujo piso era de ladrilho hidráulico nas cores vermelha e preta, corre esbaforida para esconder o bolo, que estava esfriando sobre o buffet, porque “os filhos de Carmélia” estavam chegando.
O episódio é todo muito interessante: de um lado, dois adolescentes naturalmente esfomeados pela idade; do outro, a zelosa guardiã em uma casa onde alguns quitutes (especialmente os doces) eram especialmente guardados para as determinadas situações.
Depois que li este comentário, fiquei pensando sobre o assunto e cheguei a seguinte conclusão: tempo certo, pessoas certas (adolescentes), lugar errado.
Se os naturalmente adolescentes esfomeados “filhos de Carmélia” tivessem comido pedaços de bolo na casa da Laurinda, teriam sidos estimulados e seguir além de convidados a voltar no próximo final de semana para provar outras variedades (milho, coco, chocolate, etc.). Infelizmente, aventuraram-se na casa de Amélia com a guarda de Jaci.
Pobres meninos, será que ainda se lembram do episódio?

7 comentários:

Bel B disse...

É claro que o comentário anônimo da outra postagem era de Raminho. E ontem aqui no almoço natalino a conversa sobre este assunto rendeu... Bom você contar esta versão. Vamos ver o que ele vai dizer?... rsrs

Sofríamos com Jaci, cão fiel de Amelinha, contava tudo e a gente tomava esporro...

eleusa disse...

O que me lembro não eram adolescentes, eram crianças. Já que "rendeu" a história, vou relatar um acontecido que me marcou muito. Certa vez, Carmélia e "a sua turma" chegou na hora do almoço. Quando entramos tia Amelinha falou: não tem comida prá todo mundo. Eu devia ter meus 8 anos. Aquilo me chocou tanto que virei pra Carmélia e disse que ia almoçar na tia Noemi. Carmélia não entendeu muito, mas disse, tudo bem. E fui! Hoje entendo perfeitamente e dou razão a tia Amelinha. Chegar um adulto e 3 crianças sem avisar que vieram pro almoço era demais. Só depois de adulta é que vim entender, que, o mínimo que deveria ter sido feito era avisar com antecedência que ia almoçar.Como disse o Chico: "Põe água no feijão que "estamos" chegando".
Saudades da tia Amelinha. Quando ela vinha a São Paulo, ficávamos até de madrugada com altos papos filosóficos e muitas fofocas também. Ela dizia: vamos começar por ordem alfabética, mas vamos pular os presentes. Tempo bom.

Fernando disse...

A todos

O Raminho já comprou um saco de BROA DE MILHO e escondeu debaixo da cama.escondeu de Eleusa e René.

Foi denunciado pelas formiga,500 milhões de formiga atacou.

O fim foi triste,ele conta.

Fernando

Anônimo disse...

Essa história “os filhos de Carmélia estão chegando” é, absolutamente, real. Naquela maravilhosa época, adolescente, gordo e glutão, vivia aos sábados e domingos na casa de tia Amelinha. Havia uma mesa de sinuca, patrocinada por tio Arlindo, onde os “famosos” de Conquista iam passar as tardes dos sábados e os dias de domingo jogando sinuca, na modalidade conhecida como “VIDA”. Essas tardes e manhãs dos finais de semana eram regadas a doces finos, biscoitos saborosos e um cafezinho inigualável.

Éramos viciados no jogo de sinuca, e estávamos sempre presentes, pois, além da diversão, alguns dos participantes menos afeitos “investiam” na nossa participação para, depois, dividir o dinheiro. Pois bem, chegávamos bem cedo, e, era exatamente nesses momentos que queríamos ser os primeiros a desfrutar das guloseimas. Como tia Amelinha sabia que estávamos para chegar antes de todos os demais, gritava: “ei, turma, esconde tudo que os filhos de Carmélia já estão chegando!”

Salvo melhor lembrança!

E o caso da broa de milho é totalmente verídica e se passou em Iguaí, num dia de sábado. Tio Arlindo deu UM MIL RÉIS (?) a mim e outro a Nei. Fui à feira e comprei tudo de “brevidade”, e, como não aguentei comer todas, guardei-as em baixo do colchão. Nei, por outro lado, guardou seu MIL RÉIS. Não é à toa que um está rico e o outro pobre.

Ipê

Anônimo disse...

Na casa de Noemi tinha almoço?

O provocador.

eleusa disse...

Na casa da Noemi tinha almoço e sempre tinha um bolo com ameixa (Acho que era ameixa).
E o caso da brevidade é verdade, e não tive oportunidade de prová-las, pq qdo Carmélia achou debaixo do colchão já estavam todas emboloradas e as formigas se fartando.
Ainda existe brevidade????

Celia disse...

Raminho, que bom lembrar do jogo chamado "vida". Lembro-me que, às vezes, ganhava algumas fichas no final do domingo, principalmente de Dr. Nena e Antônio da farmácia. Na segunda, ia no armazém perto de casa para comprar "queimado" - ou dois bonequinhos grudados ou a chupeta. Hoje, creio que não mais comeria coisas como estas, mas como eram gostosas naquela época. Este comentário me lembra o conselho de Edinho sobre o gosto das coisas da infância, mas que fica para outra postagem.