terça-feira, outubro 27, 2015

Japão e Coreia

Aproveitando a proximidade com Seattle (10 horas de voo), ao final de 2013, visitamos o Japão. Eu e Ademário tínhamos curiosidade para ver como este povo vivia numa ilha relativamente pequena, conhecer um pouco de seus costumes e tudo mais que pudéssemos observar em três semanas. Passamos a primeira semana em Tóquio, a seguinte em Kioto, e a última em Tóquio outra vez. Ainda em Seattle, compramos um passe de trem que nos dava direito a viajar no famoso trem-bala para onde quiséssemos dentro da ilha.
Este ano, decidimos visitar a Coreia do Sul, país também oriental, bem próximo do Japão (1 hora de voo). Do mesmo modo, compramos um passe para trem antes de chegar no país. Passamos uma semana em Seul, a seguinte em Busan, e a última em Seul novamente.
Imaginávamos que, sendo os dois países próximos e habitados por asiáticos, haveria bastante semelhança entre eles. Aos poucos, descobrimos algumas semelhanças e muitas diferenças.
O sistema de transporte é impressionante no Japão. Os trens, muito bonitos, correm a alta velocidade, em todas as direções, sem nenhum atraso, coisa de dar inveja a qualquer orgulhoso inglês de seu cumprimento com horários. Os trens misturam-se ao metrô nas cidades. As estações, enormes, chegam a ter quarenta saídas. É preciso consultar o mapa para descobrir como chegar à saída que se quer. Se errar, sabe-se lá onde está. E é tudo muito rápido, mas o sistema de informação de metrô e trens no Japão é milagrosamente fácil de compreender. Na Coreia, já não há bastante trem em todas as direções. Deixamos de visitar duas cidades interessantes porque não havia lugar no trem. Além disso, as estações de trem e metro são quase sempre separadas.
Japão é uma ilha física, rodeada de água por todos os lados; a Coreia do Sul é uma ilha política – sua ligação ao continente ocorre apenas pela Coreia do Norte, país inimigo comandado por um terrível ditador (possivelmente o sistema político sonhado pelo nosso governo atual).
O Japão é um país considerado de primeiro mundo há muito tempo; a Coreia do Sul, em quase trinta anos, passou da posição de terceiro para primeiro mundo. Em algumas portas de banheiro, há fotografia e instruções de como usar o vaso sanitário ocidental (usam também o vaso turco, cuja posição é agachada).
 
 Elegantes trens japoneses
Instruções na porta de banheiros públicos na Coreia do Sul



Estudante japonesa - saia curta e máscara
Em que pese todo este avanço, o coreano ainda é agreste, parecido com os brasileiros: empurram, puxam e passam na frente dos outros, enquanto que os japoneses são extremamente educados, até mais civilizados que os americanos, distantes, mas muito simpáticos. E como são elegantes! As mulheres, com suas saias curtas, sapatos de salto fino, bastante alto, andam naturalmente vários quilômetros dentro das gigantescas estações de trem e metro como se estivessem de sandálias e roupa esportiva; os homens, a maioria de terno preto durante os dias da semana, carregam pastas de couro, sapatos de couro e bons relógios, todos de grifes bastante conhecidas no ocidente. Muitos usam máscara.

Falando nisso, se alguém vem aos Estados Unidos e se encanta com a Macy´s ou a Norsdrom, se encantaria mais ainda no Japão. Existe uma quantidade de lojas de departamento, cada uma mais luxuosa que a outra (na Coreia do Sul só havia uma grande em Seul). As lojas de departamento no Japão geralmente têm um ou dois pisos para venda de comida e alguns restaurantes fast food, vários pavimentos com perfumes, roupas, relógios, bolsas, coisas de casa, livraria, etc., e quimonos; os dois pavimentos superiores são de restaurantes.

Aí vem a parte da comida. Os restaurantes, tanto os japoneses como os coreanos, apresentam o cardápio com o nome do prato e, felizmente, a fotografia correspondente. Também na vitrine, a maioria apresenta seus pratos com comida de plástico, muito bem preparados. Em Kioto, poucos restaurantes tinham cardápio em inglês, o negócio era ir pela foto ou pelo aspecto prato com comida de plástico mesmo. A grande diferença entre os dois países é que não gostamos da comida japonesa, mas adoramos a coreana. No Japão, desistimos logo de tentar comer nos restaurantes com comida local e partimos para os italianos, espanhóis, alemães ou qualquer outro que encontrávamos. Na Coreia, experimentamos e gostamos da comida coreana, além da vietnamita e tailandesa, que encontrávamos mais facilmente do que no Japão. Eles usam muitas porções de verduras e muita, mas muita mesmo, pimenta.

Cardápio japonês 
Comida coreana

Na Coreia do Sul, ficamos encantados com os mercados de peixes, pelo seu tamanho e variedade. Peixes e frutos do mar esquisitíssimos. Há também muitos outros mercados que vendem de tudo: roupas, tapetes, brinquedos, móveis, livros, etc., além das barracas de comida – tanto nestes mercados como nas ruas – também com uma variedade impressionante de comida. O que mais me desagradou, foi ver gente comendo polvo vivo. O bichinho, pequenino, cortado com tesoura, ainda se mexia no prato do glutão.

Comida de rua
Comida nos mercados

Comida nos mercados - tem até pé de porco

Mercado de peixes e frutos do mar - uma festa
Caranguejo King - outra festa


Também se vende peixe e frutos do mar nas ruas (não é muito higiênico, não)

Já no Japão, não se come nem bebe nas ruas. Em viagens de trem, eles levam sua comida que compram geralmente na estação mesmo, comem e depois, milagrosamente, dão fim no lixo. É tudo muito discreto. Outra situação que impressiona: as crianças viajam bastante com os professores para conhecer cidades históricas. Em todo lugar se vê grupo de crianças, desde muito pequenos, cada turma com chapéu de uma cor, educadamente seguindo seu professor.
Pequenos estudantes japoneses impressionados conosco, ocidentais
Modelo das casas dos samurais
Falando em lixo, isto foi outro aspecto muito interessante: não se encontram recipientes para coleta de lixo nas ruas em nenhum dos dois países, nem mesmo nos banheiros públicos, mas também não há lixo nas ruas (!!??) Os japoneses sempre têm uma toalhinha na bolsa ou no bolso para secar as mãos, pois não há papel para isto nos sanitários e nem todos dispõem de secador elétrico.
Um comportamento “moderno”, mas desagradável, que observamos na Coreia do Sul é o uso generalizado dos equipamentos eletrônicos. No metrô e nas ruas, todos estão de cabeça baixa mexendo no seu celular, iphone, ipod, etc.
A cultura, tanto a japonesa como a coreana, nos é estranha. Sabemos pouco destes povos. Tive uma colega japonesa na universidade que me falava sempre de como as coisas funcionavam por lá e assim compreendi alguma coisa que vi, mas, mesmo assim, faltou alguém para nos ajudar a desvendar melhor estes países – Ivan teve mais sorte, pois levou sua própria guia para o Japão, e Igor e Rose conheciam uma brasileira na Coreia do Sul. Enquanto tínhamos um guia turístico (livro) para o Japão, que compramos ainda no Brasil, encontrar um guia para a Coreia do Sul não foi fácil. Depois de percorrer livrarias em Seattle e vasculhar o amazon.com, compramos um que não me agradou. Só tratava de banalidades. O jeito foi ler os blogs e perguntar no centro de turismo (nem na estação de trem principal de Seul não havia um centro de turismo!).
As duas viagens foram ótimas. Ademário diz que gostou mais do Japão, eu digo que gostei mais da Coreia do Sul, assim ficamos divididos, com motivos para voltar a estes dois países novamente, ou então explorar algum outro pela Ásia.

Templo japonês em Nara - primeira capital do país
Desfile comemorativo na Coreia do Sul


2 comentários:

Bel B disse...

Muito bom Célia. Finalmente você dividiu com a gente estas duas experiências. Recentemente estava lendo um livro de Dráuzio Varela sobre corridas, e ele comentou isto do Japão não ter lixeiras nas ruas e que é tudo super limpo, que as pessoas carregam seu lixo até em casa.
Povo educado é outra coisa!...

eleusa disse...

Maravilha Célia. Qualquer um de nós gostaríamos de fazer uma viagem dessa.
Obrigada por compartilhar conosco com tanta riqueza de detalhes suas experiências.