quarta-feira, maio 23, 2012

Pois é... resposta a Ives Gandra...

Pois é, este artigo, se é realmente do Gandra, é espantoso. Vejam só que coincidência: hoje pela manhã, pensando em um amigo que é gay, eu imaginava o que aconteceria comigo se eu fosse gay e estivesse passeando em São Paulo, por exemplo, na frente da Faculdade Mackenzie, com um companheiro, e se fosse agredido por estudantes ou populares. Eu acharia a coisa mais estranha do mundo, porque ninguém tem nada a ver com a orientação sexual das pessoas. E o Estado tem por direto manter e garantir as liberdades individuais. O Gandra até poderia ter escrito este artigo, mas deveria ocultar o currículo dele no final.Ser um professor da Mackenzie não é boa referência.Na época da Ditadura era lá um dos centros da direita, conservadores, e reacionários. Eram os filhos dos ricos já pensando em manter o poder a todo custo, inclusive tortura e morte dos opositores.
Morei lá perto, em 1967, e sentia o clima de guerra entre a Mackenzie a faculdade de Filosofia da Federal, próximo dali. As histórias destas lutas são conhecidas e relatadas em livros. O Gandra é também da Escola do Exército, cargo que não dignifica ninguém, como sabemos e a história recente deste país comprova. Para coroar o currículo é da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Sem comentários.

Ora, Gandra é uma inteligência a serviço dos poderosos. Vejam como ele elabora o artigo por cima da linha da legalidade, citando parágrafos e artigos. Mas toda inteligência amarrada, atrelada, goeringiana, deixa seus furos, seus vazios. O artigo de Gandra é uma peneira, que não resiste à mínima contestação. Recentemente ouvi, pasmo, na televisão, um fazendeiro do sul da Bahia, a propósito da questão de terras com os índios: "- Eles não são nem nunca foram donos destas terras, tenho a escritura dela a muitos anos !" É este tipo de gente que Gandra defende, os usurpadores de terras dos índios, os poderosos que criaram uma "legalidade" própria, para manter a posse do bem roubado. É uma espécie de receptador de mercadoria que tira a nota fiscal e "legaliza" tudo. Gandra é uma espécie de despachante.

Chego a me arrepiar quando penso que, se fosse negro e alguém me agredisse pela minha negritude. Acho que não teria a paciência de um Martin Luter King e de muitos e muitos outros bravos lutadores pela liberdade negra. Antes de apelar para a lei do racismo certamente eu enchia o cara ( certamente branco e admirador de Gandra) de porrada. E se eu fosse quilombola, e viessem tomar a pouca terra que me restou, ai eu não sei o que faria.
Na época da Ditadura vi camponeses serem explorados e humilhados em Pernambuco e Alagoas, vi camponeses serem expulsos de suas terras no Maranhão e Pará, vi a prepotência dos fazendeiros, dos políticos inclusive Sarney, Passarinho e muitos outros, que perpetuaram a histórica opressão dos povos dos campos, dos explorados do interior. Hoje, falar de "sem terra" é eufemismo. Na verdade são "os que tiveram as terras roubadas".

Os torturados e mortos são um capitulo à parte. Sujar a memória deles, como o faz Gandra, é o cumulo da degradação pessoal e profissional. Mas nada disto consta na gramática da legalidade de Gandra. Os artigos e parágrafos que ele usa são catados, escolhidos e pesados junto aos latifundiários, hoje ruralistas, aos corruptos, hoje deputados e senadores, aos banqueiros, aos grandes empresários, aos grandes empreiteiros. É lá na pontinha da pirâmide da opressão que Gandra pontifica, tem seu escritório e escreve seus artigos e pareceres. Gandra pode ser tudo, menos um modesto advogado. Ele é um intelectual a serviço da opressão. Não é um cidadão comum, é um "quadro" das elites. Se é branco ou preto, pardo ou amarelo, cafuzo ou mameluco, não nos interessa. Dizer que se sente com menos espaço já é gozação... E para quem sempre viveu das benesses das castas e privilégios, este lamento não faz sentido. E, por favor, não ouse citar Rui Barbosa em sua defesa.

(Eduardo Sarno)

7 comentários:

art disse...

Bom, não entendi nada. "Se realmente é do Gandra é espantoso" - Por quê? O Gandra não sabe escrever? Parece-me haver uma distorção aí, pois você fala do autor, não do texto, mas vamos comentar.
Onde está a coincidência?
O Estado tem a obrigação de manter a segurança de todos, de gays inclusive, e de até carequinhas como eu (mas olha só, se o Estado fizer um estatuto pra defender carecas, significa que o estado está me segregando, entendeu? Não há lado bom na segregação).
Seguindo
Deveria ter ocultado o currículo dele no final? Por quê? Ficaria mais “honesto” escondê-lo? É normal as pessoas fazerem isso?
A Escola do Exército não dignifica ninguém, poxa que preconceito, não é mesmo? Por anos foi a única escola decente que havia no Brasil, dá uma olhada e vê o que essa escola já fez pelo Brasil, aliás, o Marechal Rondon tá de mal com você, viu?

Citar artigos é agir acima da linha da legalidade? Então agir na legalidade é não citar artigos?

Prosseguindo: "Não ouse falar de Rui Barbosa"- Por quê? Tem que pagar direito autoral para citá-lo? O Gandra, como advogado, não pode citar Rui Barbosa? Por acaso o livro do Rui é seu?

Aliás, Vane, o que você viu na Televisão quer dizer assim: "Os índios venderam as terras que a União lhes deu, e agora querem tomar de novo para venderem de novo”
Isso é que a sociedade discute: é o índio querer morar na reserva, caçando e andando nu, mas querendo Hylux e outras coisas. Outro dia tinha um querendo que índio tivesse cota nas escolas. Ué, o bom selvagem de Rousseau quer ir para a escola? Onde anda a tal da preservação dos costumes?
Você acha justo o índio possuir uma área do tamanho de muito país europeu onde só entra gringo travestido de missionário, e compra as cargas de minério? Estive no Oiapoque há pouco tempo, próximo da Cabeça do Cachorro. Já viu uma prostituta de 12 anos que vende o corpo para comprar crack? Eu vi. Lá não há o Estado, lá é terra de ninguém, é terra de índio.

Bel B disse...

Eu continuo concordando com Gandra. Acho que faço parte "dazelites"...

Alvaro Risso disse...

Bom, esse tal de Edmundo leu o artigo do Gandra, mas como tem um filtro em sua mente, não conseguiu entender o q ele falou. Pelo jeito ele tb nunca morou em S.Paulo: 1)a FFCL da USP. ficava em frente ao Mackenzie, do outro lado da rua Maria Antonia. Ela é estadual e não federal, aliás, São Paulo foi o Estado q por muitas décadas não teve uma universidade federal. Como disse o Arthur, o cara saiu do texto para atacar o autor, e o texto, deixa muito claro q, pessoas como eu, branco, hétero e da classe média, seremos brevemente hostilizados, se essa campanha de racialização continuar. O Lula, ao receber o título de Cidadão Paulistano, atacou novamente as elites, coisa q no seu governo, foi de quem mais ele se aproximou: Renan, Sarney, Collor, Gomes (Ceará), e outros bandidos. Esses defensores de cotas, deveriam ler o livro "JUSTIÇA O que é fazer a coisa certa", do autor Michael Sanders de Harvard, q polemiza se é justo a geração atual pagar por um pecado de gerações anteriores.
Do restante o Arthur disse tudo.

Luladasequacao disse...

Please, "I gots to know"

1 - Quem e Gandra?

2 - Que artigo e esse?

3 - Em quem eu voto?

4 - Quantos pseudo-intelectuais sem importancia mais nos vamos dessenterrrar?

Celia disse...

Eu tive a oportunidade de trabalhar com representantes do sul das Bahia destes “donos da terra”. Com muita frustação, confesso, pois a maioria não passava de um bando de oportunistas que queria tirar suas lasquinhas do país, assim mesmo como fazem muitos políticos. A pergunta de todos era: como conseguir mais vantagens?.
Eles tinham recebido as terras – fazendas com diversas casas, curral, etc. Meu papel era discutir com eles a questão das habitações, e até mesmo montar um programa para capacitar os novos moradores a construírem suas casas ou a darem manutenção nas casas já existentes – boas edificações feitas pelos “antigos usuários” das terras com suas roças de cacau. Eles se desinteressaram imediatamente quando explicamos que o Estado ofereceria a capacitação (gratuita), mas eles fariam o trabalho e arcariam com o custo dos materiais. Eles achavam que, além das terras, as casas eram também obrigação do Estado, por isso tentamos esclarecer que, antes de “índios”, eles eram brasileiros, assim como nós e outros milhões que viviam no país, e que era nossa responsabilidade providenciar o lugar para morar e manter sua família. Eles não aceitaram nossa proposta: queriam somente o dinheiro para “comprar materiais de construção”, sem nenhum plano ou projeto, pois estava tudo na “cabeça do índio” (que, na realidade, nem índio eram).
“Joguei a toalha”. Concordo com Isabel, faço parte "dazelites"...

Celia disse...

Ademário comenta
Sarna ou escabiose (em latim: Scabere - "coçar") é uma infecção parasitária contagiosa da pele que ocorre entre seres humanos e outros animais. É causada por um minúsculo parasita e que, geralmente, não são diretamente visíveis, o ácaro Sarcoptes scabiei, que se refugia sob a pele do hospedeiro, causando coceira alérgica intensa. A infecção em animais (causada por espécies de ácaros diferentes, mas relacionadas) é chamada de sarna sarcóptica.
A doença pode ser transmitida através de objetos, mas é mais frequentemente transmitida por contato direto com a pele infectada, com um maior risco se o contato for prolongado. As infecções iniciais requerem de quatro a seis semanas para tornar-se sintomáticas. A reinfecção, no entanto, pode manifestar sintomas dentro de 24 horas. Como os sintomas são alérgicos, seu atraso no início é geralmente espelhado por um atraso significativo no alívio após os parasitas serem erradicados. Sarna crostosa, anteriormente conhecida como sarna norueguesa, é uma forma mais grave da infecção frequentemente associada com a imunossupressão.
Qualquer semelhança...

art disse...

Resposta às perguntas de Lula:

1.Esqueça o Gandra. Entenda o texto.

2.Um artigo sobre a inconstitucionalidade de certas medidas do atual Supremo Tribunal Federal.

3. No Brasil hoje, fazemos esforço para que o voto de cabresto não exista mais.


4. Advogado não é intelectual. Nem mesmo pseudo.