sábado, agosto 06, 2011

Dizem que sou implicante, mas não dá pra não ser.

Residencial entregue por Dilma na Bahia usa tecnologia de alvenaria que impede reformas, pois haveria risco de desabamento

JUAZEIRO (BA) - Os primeiros moradores do Residencial São Francisco, conjunto habitacional do "Minha Casa Minha Vida" inaugurado nesta sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Juazeiro (BA), encontraram na entrada de cada bloco de prédios uma placa advertindo para que não façam reformas, sob risco de "danos à solidez". É que os prédios foram construídos com a tecnologia "alvenaria estrutural", que os levou a serem conhecidos no Nordeste como "prédios-caixão" - sem pilotis e com alicerces em alvenaria, mas de estabilidade discutível.
O sistema é muito adotado na Região Metropolitana de Recife, mas tornou-se um problema para os mutuários e para o governo do estado. Na Grande Recife, existem dez mil prédios do tipo "caixão", mas estudos acadêmicos revelam que cerca de 60% deles apresentam algum tipo de risco. Destes, 12 já desabaram, inclusive fazendo vítimas fatais.
Um diagnóstico recente feito pelo governo de Pernambuco indicou que 340 desses imóveis estão com alto risco de desabamento, e dezenas foram interditados, a maior parte nos municípios de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, os mais importantes da Região Metropolitana.
A Secretaria das Cidades de Pernambuco realiza atualmente um levantamento para saber se é possível recuperar algum desses imóveis. Muitos terão que ser demolidos. Quase todos foram financiados pelo governo, via Caixa Econômica Federal, como ocorre com o "Minha Casa Minha Vida", que está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
No residencial inaugurado nesta sexta-feira - que, segundo a prefeitura de Juazeiro, é o maior conjunto habitacional do "Minha Casa Minha Vida" -, há vários avisos: "Os edifícios que compõem o empreendimento foram construídos em alvenaria estrutural, não podendo ser feitos nenhuma abertura ou rasgo em qualquer parede do edifício, muito menos remoção de parte ou totalidade de qualquer parede. O descumprimento dessas orientações poderá causar danos na solidez ou segurança do edifício".
O conjunto custou mais de R$ 61 milhões ao governo federal. E nesta sexta-feira a presidente assinou ordem de serviço no valor de R$ 49,78 milhões, para financiar mais 1,2 mil moradias, dentro do novo PAC-2.
O conjunto inaugurado nesta sexta-feira, com 1,5 mil apartamentos, também apresentou um outro problema para os primeiros moradores, que chegaram lá na última terça-feira. Desde então, falta água nas torneiras, como relataram alguns moradores.
A manicure e dona de casa Soraya Silva, de 25 anos, três filhos e grávida do quarto, que morava na favela Ipiranga II, no município de Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador, sem água e sem esgoto, estava andando mais de 300 metros para buscar água com vizinhos e já havia apelado uma vez para o caminhão-pipa:
- Tomar conta de casa com três meninos no seco é difícil.
A Caixa negou que os imóveis estivessem sem água, mas o problema foi detectado pelo GLOBO e confirmado nos poucos apartamentos já habitados. O diretor do Sistema de Abastecimento de Juazeiro, Joaquim Neto, afirmou que os novos moradores precisam requisitar ligações individuais para que tenham o abastecimento regularizado.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/05/residencial-entregue-por-dilma-na-bahia-usa-tecnologia-de-alvenaria-que-impede-reformas-pois-haveria-risco-de-desabamento-925076257.asp#ixzz1UEchYsJ0
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10 comentários:

Fernando disse...

Você näo é implicante. Você é um Barreto. Quanto ao projeto eu quero que a casa caia e que o circo pegue fogo... E ela perca os eleitores....

CB disse...

A Dilma só fez entregar, mas o projeto foi do Lula.

Anônimo disse...

Acredito que o governo está de parabéns!
Com a aplicação de uma tecnologia revolucionária (alvenaria estrutural), foi possível entregar à população milhares de moradias a um custo acessível.
O que é mais seguro? Morar em uma casa-caixão em Juazeiro ou no morro do Bumba no Rio de Janeiro???

Unknown disse...

Não vale queimar uma técnica construtiva pela incompetência dos que a executa. A alvenaria estrutural é uma excelente técnica construtiva, usada há muito tempo. O mau uso desta ou de qualquer outra técnica, no entanto, resultado das intenções duvidosas de "construtores", põe em risco a vida dos moradores, além de consumir suas economias para a manutenção do mal feito.

Fernando disse...

Concordo plenamente com o comentário de Célia (Unkown) que inclusive é especialista no assunto.

Respondendo ao Anônimo, que não sei quem é, acho o Morro do Bumba mais seguro pois a responsabilidade é do próprio povo que está la.

art disse...

Caro anônimo:

Não consigo ver a relação entre a construção de residências sobre um aterro sanitário (em Niterói) e a questão aqui apresentada. Vejo sim, certo embotamento filosófico que o aflige fruto de questões ideológicos identificáveis facilmente.

O que me impressiona, Célia e Fernando, não é a tecnologia da construção, mas sim o perfil do "não modificar" moralmente vejo isso como assombroso. Não permitir que o morador "melhore", costumize. Me parece o velho "não mude, e vote sempre em mim", uma vez que o morador não pode melhorar, pois se melhorar, não votaria em líderes como esses saqueadores.

Celia disse...

Desculpem-me o unknown na mensagem que defende a alvenaria estrutural (não a das maravilhas do Governo). Trabalho há mais de 30 anos com sistemas construtivos, a maioria com sistemas construtivos para habitação popular, mas não tenho a mesmo experiência com as técnicas de informática. Só percebi que meu comentário apareceu com unknown após autorizar o publicação. Espero não comenter o mesmo erro nesta, mas para todos os efeitos, esta mensagem é de CÉLIA.
Cada técnica construtiva tem suas particularidades, vantagens e desvantagens. Os colapsos de edifícios devido ao uso de areia de mar no concreto (Rio de Janeiro), cálculo estrutural deficiente (recentemte em Recife), não desmerece de forma nehuma a técnica de estrutura de concreto e fechamento de alvenaria de bloco usada nas maioria dos edifícios construídos no Brasil. Da mesma forma, os problemas dos edifícios construídos com alvenaria estrutural (que não é uma técnica inovadora) não são de caráter técnico. Quanto a poder ou não remover a parede de uma residência, me pergunto qual a frequência que isto ocorre, porque eu morei 14 anos e numa casa e 20 anos em outra e nunca precisei fazer alterações no projeto. Posso até trocar os móveis, mas nunca senti necessidade de tirar as paredes do lugar e nem que isto fosse sinal de "não melhorar" minha vida.

Anete disse...

Já fiz uma obra de alvenaria estrutural nos anos 90, o conjunto já tem quase 20 anos e até o momento creio que não teve nenhum problema (nenhum caiu).
O conjunto fica em Salvador atrás do Extra da Paralela(Vila do Imbuí).
Foram 38 prédios de 4 pavimentos,4 aptos por andar mais o PG.
Quando alguém compra o imóvel ou aluga, são informados do sistema construtivo (alvenaria estrutural) e da impossibilidade da retirada das paredes, que funcionam como pilares.
Devemos levar em conta tbém, que mesmo na construção convencional, as alterações são limitadas, pode-se demolir paredes pois os pilares e vigas sustentam as estruturas, mas qualquer acréscimo tem que ser estudada por um profissional para que não haja sobrecarga na estrutura.

Bel B disse...

Não serve para Fernando. Este gosta não só de trocar os móveis, mas também remover paredes, enfim mudar o que for possível.
Faz parte da sua "filosofia de casamento", ele diz que para não mudar de mulher, muda o ambiente.... rsrsrs

eleusa disse...

Gostei muito deste post, pois fez Célia se juntar a nós no Caravana.
Aleluia!