quarta-feira, novembro 17, 2010

Passa o tempo.

“O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do País. Não é uma existência; é uma expiação. Diz-se por toda a parte: “O País está perdido!” (…) Por isso, aqui começamos a apontar o que podemos chamar de “o progresso da decadência”.

Eça de Queiroz, 1871

3 comentários:

Anete disse...

Pois é este problema nem sei quando vamos conseguir resolver, permanece vivo até hoje, já faz parte da "cultura" do povo.

Bel B disse...

Se em 1871 já era assim e sobrevivemos... então "o país não está perdido"...

art disse...

O significado é mais cruel...não aprendemos.